quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Extremo Oeste: A passagem da Coluna Prestes em 1925 - Parte 1/5 - jan 2018


Estribo federalista encontrado em Dionísio Cerqueira


Nota: Infelizmente não é possível aumentar a fonte da arte. Para facilitar a leitura, sugere-se aumentar o zoom da tela ou salvar a imagem no computador.

Fonte: Jornal de Santa Catarina - NÓS #115 - 06 e 07/01/2018 - p. 1 e 5
Texto: Ângela Bastos - angela.bastos@somosnsc.com.br
Imagem: Betina Humeres
Arte: Créditos não mencionados na fonte

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Chapecó: Aurora Alimentos, entre as empresas mais amadas do Brasil - jan 2018



     Aurora Alimentos, no 6º lugar, e Whirlpool, na 37ª colocação, são as duas catarinenses listadas entre as 50 grandes empresas mais amadas do Brasil. O ranking é do site Love Mondays, especializado em assuntos relacionados a recursos humanos e gestão de pessoas.

Fonte: Jornal de Santa Catarina - Coluna de Pedro Machado - 16/01/2018 - p. 23


     Ontem*, a coluna publicou que Aurora e Whirlpool eram as duas catarinenses entre as 50 grandes empresas mais amadas do Brasil no ranking da Love Mondays, especializado em assuntos relacionados a recursos humanos e gestão de pessoas. Pois entre as micro e pequenas aparecem mais duas representantes do Estado: a Contentools, de Florianópolis, que desenvolve uma plataforma de marketing de conteúdo, e a blumenauense Trezo, especializada em e-commerce.
*16/01/2018
Fonte: Jornal de Santa Catarina - Coluna de Pedro Machado - 17/01/2018 - p. 23     

Chapecoense e Concórdia: O "Clássico da Linguiça" na largada do Estadual - jan 2018



     A estreia dos dois times do Oeste no Catarinense 2018 não poderia ser melhor. Logo de cara, o clássico regional vai colocar frente a frente o Concórdia e a Chapecoense, às 20h30min*, no estádio Domingos Machado de Lima, em Concórdia.
     Porém, há quem prefira chamar o jogo de "Clássico da Linguiça", denominação que surgiu na década de 1990, quando os times eram patrocinados por frigoríficos da região. E o nome pegou.
*17/01/2018.
Fonte: Jornal de Santa Catarina - Esportes - 17/01/2018 - p. 19

Atualização: A Chape venceu a partida com gol de cabeça anotado por Amaral aos 35' da primeira etapa.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Chapecoense e Concórdia: O Catarinão, nossa "Copa do Mundo" - jan 2018


     São 95 mil quilômetros quadrados de diferentes sotaques e expressões, mas o futebol é idioma unificado a partir do pontapé inicial. Enquanto o globo aguarda quatro anos para a maior competição futebolística, o catarinense tem um torneio para chamar de seu a cada começo de temporada. A nossa Copa do Mundo é o Campeonato Catarinense. O evento esportivo que neste 2018 será sediado na Rússia, mas aqui a nossa Copa se espalha por Santa Catarina.
     O torneio começa nesta quarta-feira*. Os primeiros jogos estão marcados para iniciar às 20h30min. A partir do primeiro toque na bola, serão três meses e meio em que cada um dos 10 times na disputa será a seleção de cidades ou regiões - Florianópolis e Tubarão terão duas equipes. Nesta edição, como na Copa do Mundo, haverá apenas uma partida para definir quem vai ao palanque minutos depois do último apito do campeonato para erguer o caneco.
     Enquanto há oito campeões mundiais, dos 10 times que disputam o Campeonato Catarinense, oito já venceram o torneio** - apenas Concórdia e Tubarão não tiveram tal privilégio. Pequenas coincidências que reforçam a atmosfera que envolve o Estadual. Cada time tem um pouco de seleção, afinal são os melhores da equipe naquele momento, de acordo com os critérios dos treinadores, que vão defender nações que se juntam para sofrer, sorrir e chorar nas arquibancadas ou nos sofás. Cada clube tem seu craque, são nomes de confiança da torcida para que façam a diferença dentro de campo e levem o grupo para o mais longe possível no campeonato.
     Como no Mundial, não há favoritos. Estarão dentro das quatro linhas equipes com histórico de conquistas, times que entram em campo recheados de expectativas e outros que sequer vão sentir o cheiro do troféu, mas irão complicar favoritos.
     Bem-vindo à nossa Copa.                                                                                               
*17/01/2018
**Chapecoense, Avaí, Figueirense, Hercílio Luz, Joinville, Internacional, Brusque e Criciúma.


Fonte: Jornal de Santa Catarina - Esporte - 13 e 14/01/2018 - p. 1, 2, 3, 4 e 7.
Texto: Guto Marchiori - guto.marchiori@somosnsc.com.br
             João Lucas Cardoso - joao.lucas@somosnsc.com.br
Editor: Lucas Balduino - lucas.balduino@somosnsc.com.br
              Jorge Jr. - jorge.jr@somosnsc.com.br
Arte: Ben Ami Scopinho
Diagramação: Fabiano Peres

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Chapecoense: Vitória no amistoso com o Tubarão - jan 2018


     A noite de sábado* em Chapecó foi para o torcedor matar a saudade do futebol e para conhecer mais de perto as novas caras do time que busca o tricampeonato do Catarinense, e a classificação na Libertadores. O amistoso contra o Tubarão, campeão da Copa Santa Catarina, levou bom público para a Arena Condá e agradou quem enfrentou a chuva incessante do dia: 3 a 2 para o Verdão na estreia da temporada. Como a catraca era livre, a estimativa não oficial é de que cerca de 6 mil torcedores tenham acompanhado a partida. Guilherme (22 min do primeiro tempo), Amaral (39 min do primeiro tempo) e Alan Ruschel (aos 30 min do segundo tempo) marcaram para a Chape. Índio (aos 31 e aos 43 min do segundo tempo) anotou os do Tubarão.
*13/01/2018
Fonte: Jornal de Santa Catarina - Futebol - 15/01/2018 - p. 19
Imagem: Sirli Freitas - Divulgação

Oeste: Liderança na produção de energia - jan 2018



     Com metade das Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e Centrais de de Geração Hidráulica (CGHs) em operação e aporte de R$ 134 milhões para financiamento de obras nos últimos dois anos, o Oeste de Santa Catarina aposta na geração de energia como novo vetor de desenvolvimento econômico. A região, que já é forte no agronegócio e em tecnologia e inovação, busca tirar proveito do relevo acidentado e da boa quantidade de água dos rios para suprir uma demanda nacional. E já começa em alta: conta com um terço dos recursos destinados para construção dos empreendimentos. O montante ajuda a destacar Santa Catarina no setor, que só perde para o Paraná, Minas Gerais e a região Amazônica na produção de energia elétrica no país. Aqui, 12,3% do recurso gerado vem de PCHs e CGHs.

PCH Coração, em construção em Águas Frias, ao custo de R$ 30 milhões, vai gerar 4,6 MW

     De olho no mercado que viu crescer  abertura de crédito para o setor e tornou mais ágeis as licenças ambientais, não faltam empreendedores. No município de Águas Frias, de apenas 2 mil habitantes, distante 50 quilômetros de Chapecó, um novo modelo de negócio busca encurtar caminhos para a construção das PCHs e CGHs. Um grupo de investidores criou uma Sociedade de Propósito Específico (SPE Brasil Sul Energia) para tornar os agricultores, donos das terras atingidas, sócios das centrais geradoras. A estratégia elimina uma das etapas mais conflitantes e caras do processo, a desapropriação, e, mesmo entre incertezas e garantias, tem ganhado adeptos.
     Isso porque, com os donos dos pontos onde há intenção de construir as obras junto na sociedade, é mais fácil para a SPE vencer a concorrência para explorar os locais. Por outro lado, é uma promessa de ganho financeiro a médio e longo prazo aos produtores.
     - Quem apresentar mais áreas de terras no projeto à Aneel (Agência Reguladora de Energia Elétrica), leva, porque é um procedimento a menos. Também é um forma de inclusão, não de imposição. Sinaliza interesse social, além do econômico - argumenta Rousty Rolim de Moura, presidente da Brasil Sul Energia, cujos pai, Rui, já falecido, e tio, Ricardo Rolim de Moura, foram precursores da modalidade no município em 2009.
     - Estudamos o negócio e adquirimos expertise por entender que o setor é a bola da vez. Não há desenvolvimento sem energia - projeta Rousty, que largou o Direito para administrar a SPE.
     Quando Rui era prefeito do município, explica Ricardo, percebeu o mercado porque diversas usinas queriam se instalar na cidade.
     - Pensamos: por que não trazermos o modelo para que as pessoas daqui possam investir? Aí o dinheiro gira aqui, o município e a região se desenvolvem - afirma Ricardo, que agora ocupa o cargo que era do irmão na prefeitura e conta com o retorno do Imposto Sobre Serviços (ISS) e Imposto Sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) gerados pelas obras no município.
     A Brasil Sul Energia, gerida por Rousty e pelo grupo de sócios, tem diretoria técnica, conselho administrativo e fiscal. Gerencia três subsidiárias na Bacia do Rio Burro Branco, que corta os municípios próximos, uma PCH e duas CGHs, que juntas somam investimento de R$ 83,5 milhões e capacidade de geração de 12,2 megawatts (MW).
     Há outras cinco PCHs na Bacia do Rio Chapecó que, junto às anteriores, totalizam 200 investidores (50 deles agricultores), R$ 665 milhões em investimentos e 134 MW gerados, suficientes para abastecer 156 mil unidades consumidoras por um mês. Apenas duas estão gerando energia. As demais têm prazo para começar até 2022.


     O morador da Linha Suspiro, em Nova Erechim, produtor de leite e aves, Eraldo Piovesan, aguarda a licença ambiental da PCH Riu Chapecó para permutar os dois dos 14 hectares de terras atingidos pela barragem. Quando isso acontecer, ele se torna sócio com 0,5% das cotas do empreendimento, cujo custo é de R$ 130 milhões com capacidade estimada em 23 MW. A PCH tem 118 investidores, 20 deles agricultores como Eraldo.
     A promessa de ganho semestral de até 1,5% do valor investido motivou Eraldo a tornar-se sócio de outros sete empreendimentos com expectativa de ganhos de até 30 salários mínimos em 10 anos. Ele investe R$ 5 mil mensais em cotas à espera do retorno. Por enquanto, apenas uma das PCHs investidas está distribuindo lucros, a Pito de Campos Novos, que passou a gerar energia em 2016. A distribuição é anual e pode se tornar semestral em três anos, de acordo com a Sociedade Brasil Sul Energia.
     - No ano passado, a Pito deu lucro de R$ 1 milhão, pagando o financiamento: R$ 400 mil foram rateados entre os investidores e R$ 600 mil destinados para fundo de reserva - destaca Eraldo, que diz ter recebido mais de quatro salários, valor ainda baixo devido à amortização dos juros do financiamento.
     É que todos os empreendimentos têm 65% do custo financiado ao juro de 12,6% ao ano pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), via Banco Regional de Desenvolvimento do Extremos Sul (BRDE), com prazo de 20 anos para pagar, dos 30 da concessão.
     - Os primeiros anos serão de menos lucros por isso. O retorno é gradativo e depois de quitado o financiamento chega a até 1,5% do valor investido - estima o presidente da Brasil Sul Energia, Rousty Rolim de Moura.
     Para Piovesan, que com a esposa e o filho criam 10.500 frangos por lote e têm 30 vacas de leite, mesmo sem valor e prazos exatos de retorno, o investimento vale a pena:
     - Vejo uma possibilidade de se aposentar mais cedo, de conseguir uma renda extra, uma aposentadoria maior e vitalícia. Outra PCH, a Santo Antônio deve gerar lucro de R$ 5 milhões mensais. Um por cento disso dá R$ 50 mil por mês. O custo da cota é de R$ 250 mil. É uma ótima taxa de retorno.

CGH Aparecida, construída em três hectares que pertencem aos agricultores Sidani e Sadi Dalpiva, já gera energia em Jardinópolis e ainda divide espaço com criação de gado

     O casal de agricultores de União do Oeste, Sidani Dalpiva e Sadi Dalpiva também permutou a área de terra para se tornar investidores. Eles venderam os três hectares para abrigar a Casa de Força da CGH Aparecida, construída no município vizinho Jardinópolis. Receberam R$ 78 mil em dinheiro e investiram os R$ 40 mil restantes nos nomes dos dois filhos. Sobraram ainda 4,5 alqueires que servem para criação de gado.
     Os dois moram em União do Oeste e devem receber em fevereiro do ano que vem a primeira parcela da distribuição da CGH, que começou a gerar energia em novembro.
     Nestes dois meses de operação, a CGH Aparecida gerou em média R$ 241,9 mil de receita mensal. Cerca de 20% fica para despesas com operação, manutenção e financiamento.


   Há dois anos, o governo do Estado lançou o programa SC+Energia para incentivar os investimentos em geração de eletricidade de fontes limpas e renováveis e anunciou a contratação de 28 novos servidores na Fundação do Meio Ambiente (Fatma) para agilizar as licenças ambientais, além de crédito de R$ 1 bilhão do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremos Sul (BRDE) para financiamentos das obras. De acordo com a instituição, deste então, foram liberados R$ 195,5 milhões para construção de PCHs e CGHs no Estado em 19 contratos. Destes, 11 empreendimentos e R$ 134 milhões foram para o Oeste.
     Segundo Felipe Castro do Couto, gerente de planejamento do BRDE no Estado, a fonte dos recursos é o BNDES.
     Já a Fatma, até 2015 tinha 400 pedidos de licenças para construção de PCHs e CGHs no Estado. De lá para cá, recebeu mais 61 requerimentos de Licença Ambiental Prévia (LAP), que é a primeira no processo de licenciamento. De acordo com o órgão, o Estado tem 120 PCHs/CGHs com licenças válidas para operação, 63 para construção e sete para ampliação. Na fase de viabilidade (LAP), há 68 licenças.
     Segundo a diretora de licenciamento da Fatma, Ivana Becker, há uma demanda grande no Estado para construção de CGHs, pelo potencial hidrelétrico e por tamanho e impacto ambiental menores. Para agilizar as licenças, a Fatma descentralizou o processo de licenciamento para as coordenadorias regionais, com apoio da sede.
     - Temos muitas demandas, mas procuramos dar atenção às licenças para PCHs/CGHs porque a geração de energia é importante para o Estado. A descentralização dos processos tem dado mais agilidade ao trabalho.


     Enquanto a defesa dos investidores do Oeste está no menor impacto ambiental causado pelas PCHs/CGHs, na inclusão dos proprietários de terras e na promessa de desenvolvimento regional, o doutor em Ciências Sociais e professor da Universidade Fronteira Sul (UFFS), Humberto José da Rocha, defende que o assunto merece mais debate.
     Segundo Rocha, que há 10 anos estuda os impactos da geração de energia no país, SC está entre os principais estados na geração de energia e se destaca como um dos maiores do país quando o assunto é PCHs, especialmente o Oeste. Pela geografia, relevo acidentado e quantidade de água.
     Rocha afirma que investir na construção de PCHs e CGHs virou tendência na região, pelo fato das usinas hidrelétricas já terem atingido a fronteira. Mas para ele, o real impacto, a inserção de agricultores e a promessa de desenvolvimento regional merecem melhor análise.
     - Sob o aspecto ambiental, o rio Chapecó, por exemplo, tem capacidade para construir uma grande usina hidrelétrica, mas também tem para várias pequenas. Inclusive há projeto para a construção de nove PCHs só neste rio. A pergunta é: será que empilhar nove PCHs não é parecido com construir uma usina? Daqui a pouco teremos uma sucessão de lagos sem peixe. É preocupante - alerta.
     O questionamento se alinha à incerteza do desenvolvimento regional destacado pelo professor. Num dos estudos que o especialista desenvolveu, é comparado o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos municípios com usinas em relação aos que não têm nenhuma.
     - O desenvolvimento é o mesmo, com ou sem usina, exceto nos municípios que recebem ICMS. Nos outros, o retorno não compensa o impacto da perda das terras. Ou seja, não há crescimento.
     Rocha recomenda verificar caso a caso e cautela na hora de avaliar vantagens e desvantagens do investimento dos agricultores, principalmente o custo e a forma de rateio do retorno financeiro:
     - As grandes empresas geradoras de energia têm know-how, lobby político, dinheiro público para investir e produção já comprada. O agricultor tem o que eles não têm, o recurso natural, o rio. Essas empresas, tendo o dono, facilitam sua entrada na região e pulam o processo de encarar manifestações sociais diante das desapropriações. Vejo como estratégia para pular as indenizações.

CGH - Centrais de geração hidráulica, cuja capacidade máxima gerada é de 5 MW (megawatts). Não precisa concessão.

PCH - Pequenas centrais hidrelétricas, cuja capacidade gerada é entre 5 MW e 30 MW. Concessão do governo por 30 anos.

UHE - Usina hidrelétrica com capacidade gerada acima de 30 MW. Precisa de licitação.


     Abrangem 12 municípios: Águas Frias, União do Oeste, Jardinópolis, Coronel Freitas, Marema, Quilombo, Nova Erechim, Modelo, Sul Brasil, Pinhalzinho, Nova Itaberaba e Campos Novos.


Fonte: Jornal de Santa Catarina - De ponto a ponto - 13 e 14/01/2018 - p. 1, 4 e 5
Texto: Keli Magri (interina) - keli.magri@somosnsc.com.br
Imagens: Angélica Lürsen - Especial

Chapecó: No mapa das mortes violentas em SC - jan 2018



     O balanço da segurança pública em Santa Catarina em 2017 mostra uma realidade que divide o Estado quando mortes são o assunto. Enquanto em 148 dos 295 municípios não houve registro de nenhum homicídio no ano passado, em apenas 10 das 147 cidades restantes ocorreram 530 assassinatos, mais da metade dos 983 homicídios registrados em todo território catarinense em 2017, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP). A mancha das mortes violentas se concentra na Grande Florianópolis, região de Itajaí, Joinville, Blumenau, Criciúma e no interior atinge apenas Chapecó.
     A SSP ressalta que metade das cidades não teve nenhum homicídio. No entanto, estes são municípios com até 10 mil habitantes e não abrangem nem 20% da população catarinense. Nos 10 municípios com mais registros de assassinatos vivem 2,6 milhões de pessoas, cerca de 38% do total da população catarinense.
     É nessas regiões, ricas e populosas, que o crime organizado atua e as autoridades encontram dificuldades em estancar a violência. Não bastasse o aumento de 10% nos homicídios em SC, o Estado ainda viu diminuir a resolução dos casos de 51,9% em 2016 para 48,1% em 2017. A resolução dos crimes, para a SSP, significa identificar a autoria do delito, o que não quer dizer que o suspeito tenha sido denunciado ou julgado e condenado.
     Delegado-geral da Polícia Civil, Arthur Nitz credita a dificuldade em resolver casos a dois motivos: primeiro, o fato de haver apenas duas delegacias especializadas em homicídios no Estado, uma em Florianópolis - onde o índice de resolução é de 70% -, e outra em Joinville - onde a taxa atinge 60%. No restante das cidades, quem atua são as Delegacias de Investigações Criminais (DICs), que trabalham em outros casos como roubos e tráfico de drogas. O segundo obstáculo, diz Nitz, é a dificuldade em obter informações em comunidades dominadas por facções criminosas.
     - O homicídio de hoje não é o que ocorria uma década atrás. Temos dificuldades em obter informações até em razão da lei do silêncio que reina em comunidades dominadas pelo tráfico - expõe o delegado-geral. Ele garante uma atuação mais "incisiva" da Polícia Civil em 2018 em Florianópolis, Joinville, Blumenau, Itajaí, São José, Palhoça, Navegantes, Criciúma e Chapecó "para tentar frear a violência" nesses locais, mas sem descuidar de outros municípios com população na faixa entre 50 mil e 70 mil pessoas.

Fonte: Jornal de Santa Catarina - Segurança - 13 e 14/01/2018 - p. 12-13.
Texto: Leonardo Thomé - leonardo.thome@somosnsc.com.br
             Schirlei Alves - schirlei.alves@somosnsc.com.br