sábado, 30 de abril de 2016

Xanxerê e Ponte Serrada: Tornado - a cronologia de uma tragédia - IX - 30 de abril de 2015

Em 30/04/2015 o Jornal de Santa Catarina informou sobre medidas de apoio do Ministério da Fazenda aos moradores da região afetada pelos tornados.


Ginásio de esportes de Xanxerê destruído após tornado na cidade - 22/04/2015

XANXERÊ

     O Ministério da Fazenda prorrogou o prazo de entrega do Imposto de Renda dos contribuintes de Xanxerê até o dia 31 de julho de 2015. Os demais tributos federais tiveram o prazo dilatado até 30 de outubro. A informação é do deputado federal Edinho Bez (PMDB), que havia pedido também a protelação para Ponte Serrada e Passos Maia. Prevaleceu Xanxerê, o único que decretou calamidade pública reconhecida pela Defesa Civil.

Fonte: Jornal de Santa Catarina - Coluna de Moacir Pereira - 30/04/2015 - p. 6
Imagem: Nelson Antoine/Folhapress - 22/04/2015 - Disponível em www.veja.abril.com.br

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Xanxerê e Ponte Serrada: Tornado - a cronologia de uma tragédia - VIII - 29 de abril de 2015

Passado o período crítico da tragédia, ficam preocupações em relação às verbas federais prometidas às cidades atingidas, mas também demonstrações de solidariedade para com o querido povo do Oeste catarinense. É o que mostra a edição de 29/04/2015 do Jornal de Santa Catarina.


FRUSTRAÇÕES

     Dilma Rousseff propôs no orçamento da União R$ 289 milhões para os partidos políticos. O PT e aliados aumentaram a verba do fundo partidário para R$ 868 milhões. Um escárnio, como disse o ministro Joaquim Barbosa. A presidente veio a SC uma semana depois do tornado que devastou Xanxerê para anunciar a liberação de R$ 5,8 milhões, preço de um apartamento na Beira-Mar Norte, em Florianópolis.

NOITE SOLIDÁRIA

Camerata Florianópolis

     O público que lotou o Teatro do CIC aplaudiu de pé duas vezes o espetáculo realizado pela Camerata Florianópolis, em solidariedade às vítimas do tornado em Xanxerê. A exibição rendeu um cheque de R$ 10,5 mil entregue no final do espetáculo a Simone Falchetti da Rosa, do Lions de Xanxerê. Músicos, cantores e técnicos atuaram como voluntários.

Fonte: Jornal de Santa Catarina - Coluna de Moacir Pereira - 29/04/2015 - p. 6
Imagem: Maria Victoria - Divulgação - Disponível em www.obaratodefloripa.com.br

ATINGIDOS POR TORNADO PODEM SOLICITAR FGTS

     Trabalhadores atingidos pelo tornado em Xanxerê poderão solicitar liberação do saque do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) a partir de 4 de maio, por telefone, ou 5 de maio, pessoalmente. Os atingidos de Ponte Serrada ainda não tem calendário definido pois falta a listagem dos endereços. A intenção da Caixa é levar uma unidade móvel até o município.

Fonte: Jornal de Santa Catarina - Notícias - 29/04/2015 - p. 19

EM VÍDEO, NEYMAR PEDE AJUDA PARA XANXERÊ

Neymar, atacante da Seleção Brasileira e do Barcelona

     Mesmo longe, o craque Neymar também se solidarizou com as vítimas do tornado que atingiu Xanxerê no último dia 20. Em vídeo* postado nas redes sociais, o atacante da Seleção e do Barcelona pediu apoio da população brasileira para a reconstrução do município no Oeste do Estado. Os ventos que podem ter alcançado 200 km/h destruíram casas, o ginásio da cidade e deixaram dois mortos, além de vários feridos.

*Iniciativa do deputado federal João Rodrigues (PSD), cf. www.redecomsc.com.br (Blog O Palanque - Audrey Piccini - 28/04/2015), onde o vídeo por ser acessado.

Fonte: Jornal de Santa Catarina - Esportes - 29/04/2015 - p. 27
Imagem: www.portalriomaina.com.br

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Xanxerê e Ponte Serrada: Tornado - a cronologia de uma tragédia - VII - 28 de abril de 2015

Em 27/04/2015 a presidente Dilma Rousseff visitou a região atingida por tornados para prestar apoio a Xanxerê e Ponte Serrada. Na ocasião o governo estadual e os prefeitos dos municípios afetados pela tragédia apresentaram a ela suas reivindicações visando a reconstrução de suas cidades e aliviar o sofrimento de sua população.


Ao observar de perto a destruição causada pelos tornados em Xanxerê e Ponte Serrada, a presidente Dilma Rousseff se mostrou impressionada em visita às cidades ontem e garantiu aos moradores dos municípios que o governo federal pretende ser rápido na liberação de verbas para a reconstrução dos municípios do Oeste de SC. A presidente Dilma caminha pelas áreas atingidas com o Governador Raimundo Colombo e ministros de seu governo em bairro de Xanxerê.

     Após visitar Xanxerê e Ponte Serra*, no Oeste do Estado, a presidente Dilma Rousseff anunciou ontem a liberação de R$ 5,8 milhões para a reconstrução de estruturas públicas e telhados das casas atingidas (veja no quadro abaixo).
     - A destruição é impressionante. Agora temos que pensar na reconstrução e valorizar a vida. Quero garantir que vamos dar exemplo de rapidez - disse a presidente.
     Dilma sobrevoou as duas cidades e, em Xanxerê, além de visitar o ginásio municipal Ivo Sguissardi, destruído pelos fortes ventos, conversou com famílias atingidas e depois participou de uma reunião na prefeitura. Ela estava acompanhada dos ministros Gilberto Kassab (Cidades), Gilberto Occhi (Integração Nacional) e Manoel Dias (Trabalho e Emprego), além do governador Raimundo Colombo.
     Na prefeitura, um grupo de aproximadamente 300 pessoas - entre assessores e pessoas atingidas pelos tornados - esperavam a presidente. A aposentada Mariana Boni, de 69 anos, era uma delas. Ela aguarda um financiamento com juros baixos para poder reconstruir a residência.
     Em Xanxerê, Dilma encontrou um clima favorável, bem diferente da turbulência que enfrenta com as manifestações recentes nas ruas.

AUTORIDADES CONSIDERAM AS MEDIDAS SATISFATÓRIAS

     As medidas anunciadas pela presidente Dilma ficaram dentro da expectativa das autoridades locais.
     - Está dentro do esperado - diz o prefeito de Xanxerê, Ademir Gasparini (PSD).
     O prefeito só fez um pedido para que o Exército permaneça colaborando e que as ações do Governo Federal continuem.
     O prefeito de Ponte Serrada, Eduardo Coppini, também se diz satisfeito:
    - É motivador porque a presidente conferiu "in loco" e ela não viria aqui se não fosse para liberar os recursos necessários.


PREFEITOS ENTREGAM NOVO PEDIDO

     Durante a visita da presidente Dilma, os prefeitos de Xanxerê, Ademir Gasparini, e de Ponte Serrada, Eduardo Coppini, junto com o governador Raimundo Colombo, entregaram um pedido de R$ 28 milhões para a reconstrução nas duas cidades.
     De acordo com a Defesa Civil o número de desalojados passou de 5 mil e os prejuízos chegam a R$ 112 milhões.
     Os recursos solicitados são para reconstrução das casas e telhados de 2,1 mil famílias de Xanxerê, além das 252 casas em Ponte Serrada. Também foi solicitada linhas de crédito para empresas atingidas.
     O governador Raimundo Colombo sugeriu a adoção de um sistema de construção de casas pré-fabricadas, que poderiam erguer uma residência em até cinco dias.
     Dilma dia que, juntamente com seus ministros e equipe técnica, vai avaliar os pedidos.

*O correto é Ponte Serrada.

Fonte: Jornal de Santa Catarina - Notícias - 28/04/2014 - p. 12
Imagem: Roberto Stuckert Filho - Divulgação Presidente da República

DILMA: A DUPLA AVALIAÇÃO

     A visita da presidente Dilma Rousseff ao Oeste catarinense teve dupla repercussão: uma positiva, destacada pelas autoridades estaduais e pelos aliados; e a de frustrações, enfatizada pelas oposições e até por alguns segmentos corporativos da região.
     O governador Raimundo Colombo ressaltou o compromisso que a presidente teria assumido com o Estado de atender o pedido de liberação de R$ 28 milhões para reconstrução das casas destruídas pelo tornado. Somaram-se os recursos para reconstrução do ginásio de esportes e três postos de saúde. Mais do que isso, a conversa que Dilma manteve com vítimas em Xanxerê deu um caráter mais humano à visita oficial. Reacenderam-se, além disso, expectativas de que outros recursos, de órgãos federais específicos, sejam liberados no futuro.

Presidente Dilma foi bem recebida pela população de Xanxerê e reservou tempo para conversar e tirar fotos com os moradores

     Na coluna das decepções, em primeiro lugar, o "timing". A viagem ocorreu uma semana depois do vendaval. Pela gravidade, deveria ter ocorrido na semana passada. Além disso, nas redes sociais houve críticas sobre o custo da viagem, considerado elevado pelo anúncio da liberação de apenas R$ 5,8 milhões. A autorização de saque do FGTS não é favor nenhum do governo, pois é poupança do trabalhador.
     O balanço fica agora por conta do tempo. Se os recursos anunciados e prometidos forem logo transferidos para Santa Catarina e as famílias vitimadas forem beneficiadas, tem-se um cenário. Prevalecendo a burocracia, o resultado não será positivo.

Fonte: Jornal de Santa Catarina - Coluna de Moacir Pereira - 28/04/2014 - p. 6
Imagem: Roberto Stuckert Filho - Divulgação Presidente da República

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Xanxerê e Ponte Serrada: Tornado - a cronologia de uma tragédia - VI - 27 de abril de 2015

A tônica da edição de 23/04/2015 do Jornal de Santa Catarina, no contexto do tornado que atingiu Xanxerê e Ponte Serrada, foi a expectativa quanto aos resultados práticos da visita da presidente Dilma Rousseff à região afetada, marcada para o dia seguinte.


SOLIDARIEDADE Doações não param de chegar no Parque da Femi, em Xanxerê

     Uma semana depois do tornado que causou duas mortes e feriu 124 pessoas no Oeste, com prejuízos estimados em R$ 124 milhões, a presidente Dilma Rousseff vem a SC para conferir os estragos e anunciar medidas de apoio. Ela vai ouvir dos prefeitos de Xanxerê e Ponte Serrada solicitações de auxílio financeiro para a reconstrução das casas, linhas de crédito para recuperação de empresas e pedidos de aluguel social. Ela também deve anunciar R$ 5,8 milhões do Ministério da Integração Nacional para telhas e a reconstrução do Ginásio Municipal Ivo Sguissardi, o principal da cidade, que foi destruído.
     O ginásio é um dos pontos que a presidente deve visitar. Ela chega por volta das 8h45min ao Aeroporto Municipal Serafim Enoss Bertaso, em Chapecó. Pega um helicóptero e, junto com o governador Raimundo Colombo (PSD), sobrevoa as áreas atingidas. Por volta das 9h30min ela pousa no Aeroporto Municipal de Xanxerê, de onde sai uma comitiva até o ginásio Ivo Sguissardi, no bairro dos Esportes. Dilma deve conversar com duas famílias atingidas pelo tornado. Depois, segue para a prefeitura de Xanxerê, onde terá uma reunião de trabalho. Após o encontro, volta para Chapecó.
     O prefeito de Xanxerê, Ademir Gasparini, pretende solicitar à presidente recursos para todas as áreas atingidas, como habitação, recuperação dos prédios públicos e linhas de crédito. 
     - Precisamos de dinheiro a fundo perdido - disse Gasparini.

EQUIPE AGILIZARÁ LIBERAÇÃO DO FGTS

     Ele lembrou que uma das medidas já anunciadas é a liberação do FGTS das famílias atingidas e que, a partir de hoje, uma equipe do Ministério do Trabalho e Emprego estará na cidade confeccionando documentos que foram extraviados no tornado e agilizando a liberação dos recursos.
     O prefeito de Ponte Serrada, Eduardo Coppini, vai pedir R$ 1 milhão para a reconstrução de 24 casas, além de linhas de crédito para as 32 empresas que tiveram R$ 8,1 milhões em prejuízos, pois elas geravam 500 empregos.
     O secretário adjunto da Defesa Civil, Rodrigo Moratelli, disse que em Xanxerê devem ser solicitados recursos para reconstrução de 252 casas. Ele vai solicitar aluguel social para desabrigados.
     A assistente social da Prefeitura de Xanxerê, Silvana Moretto, defende a liberação de recursos diretamente às famílias. Esperam-se linhas de financiamento para as famílias atingidas com juros subsidiados.

UMA SEMANA APÓS DESASTRE, DESTRUIÇÃO AINDA É VISÍVEL

     Sete dias depois do tornado atingir Xanxerê, o rastro de destruição ainda é visível nas ruas. Diferentemente do final da tarde do dia 20 de abril, os celulares funcionam, não há mais telhados caídos, fios e até casas no meio da rua. Mas ainda há muito para ser feito. O Ginásio Municipal Ivo Sguissardi continua destruído. E muitas casas, principalmente dos bairros Tacca e dos Esportes, ainda estão sem cobertura. Algumas nem existem mais, como a do motorista Alcimar Sutil, no bairro Tacca, que morreu sob os escombros. No local, sobraram apenas pedaços de madeira no terreno.
     No bairro dos Esportes, na manhã de ontem, o aposentado Alécio Mocelin, de 74 anos, seguia sua rotina de tentar arrumar o terreno da casa que foi descoberta. Ele já recebeu cestas básicas, mas ainda terá que reformar a casa antes de receber as telhas. Só depois disso poderá deixar a casa da filha. O problema é que a mão de obra está escassa e cara. Por isso espera da presidente recursos a fundo perdido que sejam depositados diretamente para as famílias atingidas.

CASAS COMEÇAM A SER COBERTAS

Na foto acima, feita segunda-feira da semana passada, casas apareceram totalmente destelhadas

O mesmo ângulo fotografado ontem mostra algumas casas com telhados já consertados

CINCO FERIDOS CONTINUAM INTERNADOS

     Cinco vítimas do tornado de Xanxerê estão internadas, sendo três no Hospital São Paulo, que não correm risco de morte, e duas em Chapecó, na UTI do Hospital Regional do Oeste, que estão em situação gravíssima.
     Um deles é Gabriel Sutil, de oito anos. Ele teve traumatismo craniano. Seu pai, Alcimar Sutil, morreu quando a casa desabou no tornado.
     De acordo com a assessoria do hospital, a família solicitou judicialmente que não fossem divulgados dados sobre o menino.
     A reportagem apurou que ele permanecia na UTI no início da tarde de ontem. Quem também está na UTI é Lurdes Lima de Oliveira, de 63 anos.
     Em Xanxerê um dos pacientes internador é Valêncio de Camargo, de 27 anos. Ele trabalhava na construção de um supermercado no bairro Bortolon, quando teve uma perna atingida pela estrutura de concreto. Ele foi ao hospital segurando a perna. Três pessoas tiveram alta do Hospital São Paulo ontem.

Fonte: Jornal de Santa Catarina - Notícias - 27/04/2015 - p. 8
Imagens: Sirli Freitas - Especial

O QUE SC ESPERA DE DILMA

     Nos preparativos da visita da presidente Dilma Rousseff ao Oeste catarinense hoje, foram três as ações concretas. A primeira, do Batalhão Precursor, montando o roteiro e o esquema de segurança; a segunda, a reunião regional do PT para montar as ações de solidariedade, iniciativa do presidente Cláudio Vignatti; e a terceira, o encontro em Chapecó, ontem à noite, de Raimundo Colombo com o presidente da Assembleia, Gelson Merisio, e os prefeitos de Xanxerê, Ademir Gasparini (PSD), e de Ponte Serrada, Eduardo Coppini (PTB).
     A presidente está sendo esperada às 8h45min, procedente de Porto Alegre. Desce no aeroporto de Xanxerê e ali mesmo embarca no helicóptero para sobrevoo nos dois municípios atingidos. Na sequência, desce perto do ginásio de esportes destruído pelo vendaval, onde cumprimentará algumas das vítimas. Segue logo para a Prefeitura de Xanxerê, onde receberá os pleitos do governo estadual e das duas prefeituras.
     A principal revindicação partirá do governador. Vai pedir à presidente a assinatura da medida provisória para liberação imediata de recursos e transferência para o governo estadual, que faria a aplicação de comum acordo com as prefeituras. Colombo se vale de providência igual adotada nas enchentes de Blumenau, visando a agilidade na liberação de verbas para reanimar a população.
     Solidários com o povo trabalhador do Oeste, os catarinenses esperam que Dilma Rousseff seja prática, decidida e, sensibilizada com o drama de milhares de famílias, que revogue a burocracia que costuma imperar nestas calamidades e agilize todas as medidas federais.
     Assim estará justificando plenamente a viagem ao Estado.

Fonte: Jornal de Santa Catarina - Coluna de Moacir Pereira - 27/04/2015 - p. 6

SUGESTÃO

     O imenso estrago do tornado em Xanxerê deixa claro mais uma vez que o país carece de um fundo emergencial para encarar desastres naturais, que não são poucos. Algo que poupasse os atingidos da burocracia que torna o socorro demorado e, de quebra, o 'tragédiatour", aqueles sobrevoos de autoridades que nada acrescentam, a não ser despesa.

Fonte: Jornal de Santa Catarina - Coluna de Valther Ostermann - 27/04/2015 - p. 23

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Xanxerê e Ponte Serrada: Tornado - a cronologia de uma tragédia - V - 25 e 26 de abril de 2015

Dando continuidade à cobertura da tragédia que se abateu sobre Xanxerê e Ponte Serrada, o Jornal de Santa Catarina, em sua edição de 25 e 26/04/2015, enalteceu o esforço das vítimas para se reerguer e provocou uma reflexão sobre o que se pode aprender de um evento destes com vistas ao futuro.


Imagem mostra a devastação pós-tornado em Xanxerê e coloca em xeque área de abrangência de radares e a estrutura da Defesa Civil em cada município - Fig. 1


VICTOR PEREIRA
Ponte Serrada/Xanxerê

     Em meio à dor no Oeste catarinense, talvez apenas um sentimento divida espaço com a esperança: o apego. Não apego ao material, porque esse faria ainda menos sentido do que o habitual nas circunstâncias que castigam Xanxerê e Ponte Serrada. Mas sim o apego à terra, aos seus. O apego à vida que se leva. Veja nesta página histórias de quem está deixando de lado a tristeza para dar voz ao espírito da reconstrução.

EUGÊNIA, Ponte Serrada - Fig. 2

     Eugênia Laureano, o marido e os dois filhos estavam em Concórdia na hora do fenômeno e quando chegaram não havia mais nada a fazer. A não ser seguir em frente. Em meio ao cenário de perda total do que levou anos para construir, ela levanta a cabeça para enfrentar o futuro:
     - Na verdade não perdemos nada, porque não perdemos a vida - encerra Eugênia, com uma sabedoria de quem não aceita a desistência como uma opção.
     Unidos Venceremos. Esse é o nome do bairro onde Eugênia mora. Nada mais apropriado. Unidos na dor. Unidos na esperança da reconstrução.

DERCÍLIA, Xanxerê - Fig. 3

     Assim como em todas as regiões afetadas pelo tornado, as famílias do bairro Tacca, em Xanxerê, enfrentam inúmeras dúvidas sobre o futuro. O lugar onde vão recomeçar não é uma delas.
     - A casa em que eu morava, o vento derrubou. A outra casa, que eu alugava, será demolida. Mas vamos reconstruir tudo e ficar aqui, porque aqui está a minha família, a minha vida, a minha história - diz Dercília de Freitas, que se escondeu com a neta no porão da casa agora destruída.

LÚCIA, Ponte Serrada - Fig. 4

     Bastam alguns minutos para mostrar ao mundo que Ponte Serrada precisa de ajuda para que um sentimento muito maior aflore: a esperança.
     - Perdemos a casa, mas a gente tem muita beleza e simpatia - diz uma moradora ao sorrir.
     - Tem que rir, porque chorar não adianta - complementa Lúcia de Moraes, que estava sozinha na casa do filho e da nora quando o tornado atingiu a localidade.

Em novembro de 2008, após dois meses de chuva, 40 municípios catarinenses viveram uma catástrofe climática - Fig. 5

     Foi quando a catástrofe de 2008 atingiu Blumenau - e outras cidades do Vale do Itajaí - que a Defesa Civil da cidade percebeu a necessidade de mudar e se especializar para prever e responder com rapidez os ataques da natureza. Foram quase dois meses de chuvas que culminaram em 135 mortes, 40 municípios afetados e muita destruição, pois além da enchente, a terra deslizava dos morros de tão encharcada.
     Apesar do plano de contingência da cidade existir desde 1989, foi apenas a partir da catástrofe que a Defesa Civil se especializou e passou a monitorar áreas com risco de deslizamentos, explica o secretário de Defesa do Cidadão, Marcelo Schrubbe. Na tragédia daquele ano só Blumenau registrou 2 mil pontos de escorregamento de terra que deixaram 21 mortos.
     - Nós até tínhamos conhecimento em enchentes graduais, mas não em deslizamentos. Assim como as enchentes de 1983 e 1984 serviram para criar a Defesa Civil em Blumenau, 2008 ajudou a transformar, a dar o passo seguinte e nos trazer essa experiência - analisa Schrubbe.
     Hoje a Defesa Civil de Blumenau funciona na prefeitura e é vinculada à Secretaria de Defesa do Cidadão, com a estratégia de centralizar os trabalhos, e conta com 63 profissionais. Para se especializar nas necessidades de Blumenau foi criada a Diretoria de Geologia, Análise e Riscos Naturais, direcionada a monitorar as áreas de risco e o Sistema de Monitoramento e Alerta de Eventos Extremos de Blumenau (Alertablu).
     A primeira atua com orientação e fiscalização de construções para evitar que áreas de risco sejam ocupadas e na identificação de áreas mais vulneráveis. Já o Alertablu (alertablu.cob.sc.gov.br), mostra em tempo real dados das chuvas, nível do Rio Itajaí-Açu, previsão do tempo, atividades nas barragens em Taió e Ituporanga e alertas meteorológicos.
     Para operar o sistema foram contratados profissionais especializados: hoje são três meteorologistas e cinco técnicos.

CAPACITAÇÃO E MELHOR COMUNICAÇÃO AMENIZARIAM

     Mesmo não tendo como conter um evento das dimensões do tornado que atingiu Xanxerê e Ponte Serrada, algumas medidas de prevenção podem ser tomadas para amenizar o impacto deste evento. O coordenador da Defesa Civil de Ponte Serrada, Robson Acunha, relatou a falta de estrutura para atendimento, com apenas três pessoas da Defesa Civil e seis bombeiros no município.
     - Tínhamos pouca estrutura para dar resposta para a população, o tornado foi na segunda e algumas coisas conseguimos atender só sexta - disse Acunha.
     Ele também ressaltou a necessidade de preparar a população para se proteger num temporal. Lembrou que Ponte Serrada já é feito um trabalho educacional e isso pode ter contribuído para evitar mortes com o tornado.
     Em Xanxerê, o major Walter Parizotto, comandante dos Bombeiros, disse que muitas pessoas, em vez de procurar proteção, começaram a filmar o tornado. Mas o principal problema foi a falta de comunicação.
     - Ficamos de quatro a cinco horas sem comunicação - afirmou.
     Mensagens via celular mandadas por volta das 20h foram recebidas só às 5h do dia seguinte. Parizotto disse que o tornado vai mudar a maneira do poder público pensar. Além de radar para alertar, é necessário prever estrutura de proteção.
     Para o coordenador da Defesa Civil na região de Xanxerê, Luciano Peri, houve uma mobilização e resposta imediata ao desastre e a integração de vários órgãos. Mas ele vê a necessidade de mais capacitação para eventos dessa proporção.
     - Precisamos estar melhor treinados, para entender o evento com mais agilidade - disse Peri.

EM ITAJAÍ, SISTEMA AVISA SOBRE ENCHENTE VIA CELULAR E PLACAS SOLARES GARANTEM COMUNICAÇÃO

     Em Itajaí funciona, desde 2011, o Projeto Alerta SMS, uma maneira que a Defesa Civil do município encontrou para informar os moradores de áreas mais propensas a enchentes em momentos de crise. Segundo o coordenador do órgão, Everlei Pereira, há cerca de 150 famílias cadastradas no projeto, todas residentes em oito áreas mapeadas como vulneráveis e monitoradas constantemente. Já houve a intenção de expandir o projeto para toda a cidade, mas a administração recuou:
     - Tentamos fazer um cadastro aberto, mas decidimos elencar os pontos prioritários porque seria um custo desnecessário, já que em outras áreas as pessoas têm mais acesso a outras fontes de informação.

MORADOR FAZ CADASTRAMENTO

     Para receber os alertas o morador da cidade só precisa cadastrar o número do celular no site da Defesa Civil de Itajaí. O envio da mensagem é gratuito e automático, ou seja, quando o rio atinge a cota cadastrada limite da rua, os moradores interessados recebem um alerta em forma de mensagem de texto.
     Além da criação do sistema, o coordenador afirma que a Defesa Civil investiu de forma intensa na estrutura para garantir que as informações não saiam do ar por falta de energia. O abastecimento é feito por placas solares e baterias, o que faz com que o sistema permaneça em funcionamento.

Medidas preventivas em caso de tornado - Fig. 6

Fonte: Jornal de Santa Catarina - Notícias - 25 e 26/04/2015 - p. 4-11
Imagens: Marco Favero (Fig. 1, 2, 3 e 4) + Gilmar de Souza - BD - 30/11/2008 (Fig. 5) + Fábio Nienow (Fig. 6)

domingo, 24 de abril de 2016

Xanxerê e Ponte Serrada: Tornado - a cronologia de uma tragédia - IV - 24 de abril de 2015

Em sua edição de 24/04/2015 o Jornal de Santa Catarina deu destaque aos feridos da tragédia. Deu-se, assim, voz àqueles que mais de perto sentiram os efeitos do fenômeno.



     Dos 95* feridos durante o tornado de Xanxerê, que também atingiu Ponte Serrada, no Oeste do Estado, 10 ainda permanecem internados em dois hospitais da região. Bombeiros relataram cenas de pessoas com membros amputados, debaixo dos escombros. Os casos mais graves são de Gabriel Sutil, de oito anos, e Lurdes de Oliveira, 63, que estão em coma induzido, em Chapecó.
     - Não dava para caminhar no hospital, era gente por todos os corredores - lembrou o prefeito (de Xanxerê) Ademir Gasparini.
     Um dos sete internados do Hospital São Paulo, de Xanxerê, é Venâncio de Camargo, 27 anos. Ele trabalhava na obra de um supermercado, no bairro Bortolon, quando a estrutura desabou.
     - Ele foi para o hospital carregando uma das pernas - contou a mãe, Lúcia Gonçalves da Silva, 58, que ontem saiu da cidade gaúcha de Iraí, distante 130 quilômetros, para ver o filho.
     A mãe de Gabriel, Cristiane Sutil, disse que o estado do filho é grave. Tanto que ela está tentando transferir o menino para um hospital de um grande centro. A filha, Anna Kellen, teve alta e está com avó, Ivanir Ferreira da Luz, que teve duas costelas fraturadas. O marido de Cristiane, Alcimar Sutil, morreu com o desabamento da casa onde estava com os filhos.
     - É muito difícil. Se não fosse meu marido eles não conseguiriam sobreviver - diz Cristiane.
     Antes de morrer, Alcimar Sutil ficou por cima dos dois filhos para evitar que eles fossem atingidos pelos destroços da residência da família. O corpo dele foi encontrado abraçado com as crianças.
     O prejuízo do tornado em Xanxerê soma R$ 100 milhões. A informação é do coordenador regional da Defesa Civil em Maravilha e responsável pelo levantamento das vítimas do tornado na cidade, Rogério Golin.

PERDAS NAS INDÚSTRIAS ATINGEM R$ 45 MILHÕES

     Ontem, a Defesa Civil concluiu o cadastro dos atingidos, que soma 1.586 famílias e 4.958 pessoas**. Já as perdas em 42 indústrias e estabelecimentos comerciais atingem R$ 45,3 milhões.
     Golin diz que ainda não recebeu os dados das nove unidades públicas, mas a estimativa é de que a reconstrução do ginásio Ivo Sguissardi custará no máximo R$ 5 milhões e, a escola Neuza Lemos Marques, custará cerca de R$ 1 milhão para ser reformada.

SUSTO Otávio Albani perdeu parte do dedo polegar e feriu os dois braços após proteger o rosto de uma lâmina de zinco que voou em direção a ele - Fig. 1

Entrevista / Otávio Albani, vítima
"QUERO VOLTAR A TRABALHAR"

     O que o senhor lembra do dia do tornado?
     Otávio Albani - Foi terrível. Em questão de segundos estourou tudo. Eu estava separando medicamentos e aí escutamos o barulho. Fomos fechar as portas do barracão e, no que fechamos, o vento derrubou tudo. Eu e meus colegas ficamos debaixo dos escombros.

     Como conseguiu escapar?
     Albani - Não sei. Tinha umas bolsas de medicamento perto. Acho que isso ajudou a segurar. Quando vi que estava preso comecei a gritar por socorro. Não dá tempo para nada, é questão de segundos.

     O senhor chegou a quebrar o braço?
     Albani - Não, só machucou o braço esquerdo. Também perdi o dedo polegar direito. Voou uma folha de zinco na minha direção e fui proteger o rosto. Também estou com dores nas costas.

     O que mais o senhor lembra?
     Albani - Era um desespero, meu filho que estava no escritório e veio correndo, o chefe corria que nem louco. Foi triste, me peguei no meio do vendaval.

     O que o senhor quer fazer quando sair?
     Albani - Quero voltar a trabalhar.

TORNADOS NO OESTE / MAIS PREJUÍZOS

DESTRUIÇÃO Famílias recuperam o pouco que sobrou dos imóveis e utensílios domésticos atingidos na segunda-feira - Fig. 2

ÁREA INDUSTRIAL FOI A MAIS ATINGIDA

     A Defesa Civil de Ponte Serrada concluiu ontem o levantamento dos prejuízos causados pelo tornado que passou pela cidade do Oeste catarinense na segunda-feira. O cálculo do órgão aponta perdas de aproximadamente R$ 10 milhões. A parte mais afetada do município foi a área industrial, onde se concentram as empresas do setor madeireiro, sendo que praticamente todas sofreram danos significativos.
     Os prejuízos também levam em conta as mais de 400 residências atingidas, com destruição total em pelo menos 50 casas. Nos prédios públicos não houve grandes abalos nas estruturas, mas perdas de alimentos e remédios que foram descartados em escolas e postos de saúde por causa da falta de energia elétrica.
     Segundo informações da Secretaria de Assistência Social do município, 7.185 pessoas** foram afetadas pelo tornado - cerca de 400 famílias. Os bairros mais castigados foram Unidos Venceremos, Industrial, Lar Legal, São Sebastião e Potrich, as Cohabs 1 a 6 e a localidade Fazenda Santa Terezinha. Na cidade, não houve vítimas com ferimentos graves.

Entrevista / Walter Parizotto, Comandante do Corpo de Bombeiros de Xanxerê
"FOI UMA NOITE INTERMINÁVEL"

Major Walter Parizotto, Comandante do Corpo de Bombeiros de Xanxerê/SC - Fig. 3

     Como vocês receberam a notícia do tornado?
     Walter Parizotto - A primeira ligação que chegou - e a única - veio da perimetral. Uma árvore tinha caído sobre um carro. Vimos o vento na zona rural e voltamos para o quartel, quando o telefonista disse que estava tudo tranquilo. Não tinha chamados. Percebemos que os telefones estavam mudos. Uma das coisas mais tristes da vida de bombeiro é quando as pessoas não conseguem acessar o socorro. A primeira equipe que chegou de Chapecó ouviu na rádio que tinha acontecido algo em Xanxerê. Só conseguimos informar nosso comando do que havia às 20h. Até as 23h era um caos. Foi uma noite que não terminou. Ela começou com um pinheiro voando e terminou com o sol nascendo.

     Como foi para os bombeiros que também tiveram suas casas destruídas?
     Parizotto - Um deles na hora que estava chegando em casa, viu ela destruída e a camiseta do lado de fora. Pegou a camiseta e por coincidência passou uma viatura. Ele logo entrou na viatura e só voltou no dia seguinte. Outro chegou em casa viu que não tinha mais residência, lembrou do quartel e ficou aqui até o final do dia seguinte. Nós tínhamos sete homens em serviço, mais cinco que estavam em ponto facultativo. Tínhamos separado esse dia para consertar as sapatas do quartel.

     Apesar de toda a dificuldade, vocês têm treinamento para essas situações.
     Parizotto - Em Xanxerê, por conta das circunstâncias de termos homens preparados e instrutores, facilitou o nosso trabalho. Mas se isso tivesse acontecido em outra cidade, uma pequena e isolada, ia ser muito mais complicado. O fato de ser aqui favoreceu um pouco. Nós conseguimos nos organizar um pouco mais rápido.

PONTE SERRADA TEM 78 PESSOAS DESALOJADAS

     Há 78 pessoas desalojadas em Ponte Serrada. Elas estão em casas de parentes. Duas famílias foram acolhidas no abrigo aberto na Feira Municipal. Já as doações aos atingidos ocorrem em dois locais. O Complexo Esportivo, no Centro, concentra os materiais encaminhados pela Defesa Civil, como colchões e kits de limpeza. Estes itens são entregues nas residências de cada família afetada. No Ginásio Jorge Konder Bornhausen, na Baía Alta, estão as doações de outros municípios, principalmente roupas, que devem ser retiradas no local pela população que precisa.
     - A prioridade agora é doação de materiais de construção. Nossa expectativa é de reconstruir as áreas mais afetadas em 30 dias - afirma a secretária de Assistência de Ponte Serrada, Rúbia Wrudel.

OS FERIDOS

Gabriel Sutil, oito anos - Após ter traumatismo craniano, foi internado na UTI em estado grave. Em coma induzido, respira por aparelhos. A casa onde morava com a família, no bairro Taca***, desabou. Seu pai, Alcimar Sutil, morreu na hora. Mesmo assim, segundo vizinhos, conseguiu proteger os dois filhos, Gabriel e a irmã, de cinco meses.

Lourdes Lima de Oliveira****, 63 anos - Está internada na UTI em estado grave, em coma induzido. Respira por aparelhos.

Otávio Albani, 63 anos - Estava trabalhando numa distribuidora de medicamentos quando um barracão caiu por cima dele. Seu colega, Deonir Comin, que estava ao lado, morreu. Albani teve parte da pele do braço arrancada, perdeu parte do dedo direito e teve vários hematomas nas costas. Deve ter alta em breve.

Valêncio de Camargo*****, 27 anos - Trabalhava na obra de um supermercado, no bairro Bortolon, quando começaram a cair os pré-moldados da parede. Perdeu parte da perna. Fez nova cirurgia na tarde desta quinta-feira para reconstituição.

*Em 22/04/2015 noticiou-se 120 feridos em Xanxerê e 8 em Ponte Serrada.
**Em 22/04/2015 noticiou-se 10 mil pessoas afetadas em Xanxerê e 800 em Ponte Serrada. Em 24/04/2015 divulgou-se 4958 pessoas atingidas em Xanxerê e 7185 em Ponte Serrada.
***A grafia correta é Tacca.
****Citada como Lurdes de Oliveira em outra parte da reportagem.
*****Citado como Venâncio de Camargo em outra parte da reportagem.

Fonte: Jornal de Santa Catarina - Notícias - 24/04/2015 - p. 12 e 13
Texto: Darci Debona
Imagens: Sirli Freitas - Especial (Figs. 1 e 3) + Marco Favero (Fig. 2)

A VISITA DE DILMA A SC

     No primeiro contato telefônico que disparou ao governador Raimundo Colombo na terça-feira e inteirada das primeiras e dramáticas informações sobre a destruição provocada pelo tornado em Xanxerê, a presidente Dilma Rousseff sinalizou o desejo de visitar o Oeste. O batalhão precursor da Presidência já se encontra na região preparando a visita presidencial para segunda-feira*.
     Colombo voltou a falar com Dilma esta semana depois que recebeu o relato do ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi, que esteve em Xanxerê e levou fotos, dados e documentos sobre a devastação da cidade. Além das ações já deflagradas, como apoio do Exército e prorrogação do pagamento de tributos estaduais, há necessidade de apoio federal em duas frentes. A primeira, com liberação de recursos subsidiados e sem juros, para que as famílias que perderam tudo possam reconstruir suas vidas. Esta injeção financeira é fundamental para a economia da cidade. A segunda, verbas imediatas para que a prefeitura e os órgãos estaduais possam contratar a reconstrução de prédios públicos destruídos.
     Colombo retornará hoje a Xanxerê para nova avaliação e depois estará em Ponte Serrada. Dilma anuncia viagem na segunda. O que se espera é que venham com medidas ágeis e concretas para animar aquele povo trabalhador.

*Refere-se ao dia 27/04/2015

Fonte: Jornal de Santa Catarina - Coluna de Moacir Pereira - 24/04/2015 - p. 6

Xanxerê e Ponte Serrada: Tornado - a cronologia de uma tragédia - III - 23 de abril de 2015

Em 23/04/2015 o Jornal de Santa Catarina dava continuidade à cobertura da tragédia que se abatera sobre Xanxerê e Ponte Serrada três dias antes. Começavam a ser calculados os prejuízos causados pelos tornados.


Soldados do Exército auxiliaram ontem na distribuição de alimentos, água, materiais de construção e utensílios aos atingidos pelo tornado em Xanxerê, depois da destruição que gerou prejuízo de R$ 45 milhões. Em Blumenau, doações devem ser direcionadas para os Bombeiros até as 7h, quando parte o Oeste um caminhão com as arrecadações - Fig 1.

R$ 45 MILHÕES PARA RECONSTRUIR A CIDADE
Xanxerê teve escolas, ginásios e centenas de casas destruídas após fenômeno de segunda-feira
Darci Debona - Xanxerê

     Nove prédios públicos, incluindo uma unidade de saúde e escolas, foram atingidos pelo tornado segunda-feira e ficaram fechados ontem em Xanxerê. A cidade vítima do fenômeno deve demorar meses para voltar à normalidade e desembolsar o valor de R$ 45 milhões para se reconstruir, conforme estimativa da Defesa Civil. Hoje, 11 escolas serão reabertas.
     Ontem, a chuva atrapalhou a reconstrução da cidade, mas os serviços básicos como água e energia começaram a ser restabelecidos. Dois ministros e o governador Raimundo Colombo, além de representantes de órgãos públicos, como a Defesa Civil, que coordena uma força-tarefa com mais de 400 pessoas, estiveram no município.

LIMPEZA Moradores e soldados do Exército Brasileiro passaram o dia de ontem recolhendo entulhos e móveis que foram parar nas ruas de Xanxerê - Fig. 2

MIL TRABALHAM NA RECONSTRUÇÃO

     O prefeito de Xanxerê, Ademir Gasparini, estima que cerca de mil pessoas estejam trabalhando, somando voluntários e servidores públicos municipais.
     Máquinas da prefeitura começaram a retirar os entulhos, liberando as ruas. Doações chegaram de diversos municípios e começaram a ser distribuídas com o auxílio do exército, bombeiros, Polícia Militar e assistentes sociais do município.
     - Neste momento, nossa prioridade é atender às necessidades básicas, como água, comida e higiene pessoal - afirmou o major Walter Parizotto, comandante dos Bombeiros de Xanxerê.
     Para agilizar o socorro às vítimas, o Governo Federal garantiu que vai reconhecer o estado de calamidade pública e situação de emergência dos municípios, respectivamente. A decisão deve ser publicada no Diário Oficial da União hoje.

RECEITA MÉDICA VOA 40 QUILÔMETROS
Angela Bastos

     O tornado que destruiu parte de Xanxerê atravessou os limites da cidade. Na página do Facebook de Lindóia do Sul, município vizinho a 40 quilômetros em linha reta, moradores postam imagens dos objetos que foram encontrados em suas propriedades. São notas fiscais e pedaços de madeira, isopor, amianto, entre outros materiais. Uma receita médica encontrada no canavial do agricultor Valter Canton ganhou destaque. O papel tem assinatura do médico e timbre da Secretaria de Saúde de Xanxerê, com data de 9 de abril.
     - A gente deixou secar e conseguiu ler - conta a mulher do agricultor, Salete Bertol Canton.
     O tempo que o papel pode ter alcançado para atingir a lavoura impressiona o casal:
     - De carro e pela estrada, a gente leva uma hora e meia para chegar em Xanxerê. Não sabemos quando chegou, mas a localizamos na manhã de terça-feira - explica o agricultor.
     O rastro do tornado foi deixado em pelo menos oito comunidades de Lindóia do Sul. As marcas atingiram terras em Linha Joana, Sertãozinho, Santo Isidoro, Linha Alegre, Acídio e Cotovelo. Na localidade de Mimosa foi encontrada uma placa de "vende-se" com um telefone de Xanxerê. Na linha Acordi, notas de uma empresa também de Xanxerê.
     A cada hora que passa chega informação de que alguma coisa foi encontrada - explica o prefeito de Lindóia do Sul, Pedro Ari Parizotto.

Entrevista / Milton Hobus, Secretário de Defesa Civil do Estado

"NÃO TEMOS UMA COBERTURA SUFICIENTE DE RADARES"

Milton Hobus - Secretário de Defesa Civil do Estado - Fig. 3

     Quanto a equipamentos, o Estado tem o suficiente para fazer o monitoramento de todo o território do Estado?
     Milton Hobus - Não, não temos. Estamos no início do trabalho. Primeiro, não temos todas as informações centralizadas e tratadas. Não temos uma cobertura suficiente de radares e nem conhecimento para saber tratar todas essas informações. É algo que vai acontecer passo a passo. O importante é que existe planejamento e cada mês colhemos mais resultados.

     Então ainda falta estrutura para o Estado? Tanto de equipamento e de pessoas?
     Hobus - Mesmo sem uma estrutura adequada a Defesa Civil emitiu para a região do Oeste um alerta de fortes temporais na segunda-feira. Só que não temos nem conhecimento e capacidade para avaliar uma informação como a que recebemos do Simepar (Sistema Meteorológico do Paraná), cujas imagens estão disponíveis para Santa Catarina. Ainda não temos capacitação dos meteorologistas para tratar essas informações. E tudo isso é um aprendizado.

     Que tipo de equipamentos são esses?
     Hobus - Um radar como o de Lontras a ser instalado no Oeste de Santa Catarina, que é promessa do Governo Federal e que iniciará a varredura desde o Rio Grande do Sul. A previsão que o Governo Federal passou é para o final deste ano. Mas o governador já determinou que, se não ocorrer a ajuda, o Estado vai fazer porque não podemos mais esperar. Outro radar menor, com outras características, deve ser instalado no Sul. Além desses radares, outros R$ 25 milhões devem ser investidos em equipamentos no Centro de Monitoramento de Alertas e equipamentos de campos para levantar mais informações.

     Já tem lugar determinado para esses radares?
     Hobus - O estudo técnico definitivo da cidade e lugar específico não está pronto, mas deve ser em Chapecó.

     Qual o prazo para eles entrarem em operação?
     Hobus - A ideia é que tudo esteja funcionando com o Centro de Monitoramento de Alertas, em junho de 2016.

     Como o senhor avalia a ação da Defesa Civil em Xanxerê?
     Hobus - A Defesa Civil se estruturou há um bom tempo para poder estar presente e dar resposta rápida. Tanto que na noite de segunda-feira já estávamos presentes na região. Demos assistência necessária, porque nessa as pessoas não sabem o que fazer. O nosso trabalho foi forte e continuará presente para a fazer a organização do trabalho.

     O que é Centro de Monitoramento e como ele poderá ajudar nessas situações?
     Hobus - Dentro do projeto do Centro de Monitoramento de Alertas está a disponibilização de informações e ação pela internet e via celulares para que as pessoas tenham acesso a todos os alertas no território de SC. Com essas ações, esperamos criar uma consciência acostumada com essas situações e capaz de agir com antecedência.

     Onte ficará o centro de monitoramento?
     Hobus - Na Defesa Civil, em Florianópolis, e ficará pronto em um ano. Daqui ele vai integrar todas as informações do Estado, para interpretar e disponibilizar essa informação apurada.


AJUDA DE BLUMENAU PARTE HOJE DE MANHÃ
Água e lonas ainda podem ser deixados até as 7h no Corpo de Bombeiros do Centro ou na Base Norte

     A doação para as vítimas de Xanxerê, no Oeste de Santa Catarina, segue até hoje de manhã em Blumenau. Água e lonas estão entre os principais itens arrecadados, mas a população também doou alimentos não perecíveis, produtos de higiene e limpeza, roupas, cobertores e edredons. A previsão era de que o primeiro caminhão com os itens doados saísse de Blumenau ontem à noite, mas por causa de uma indefinição sobre qual veículo faria o transporte o prazo foi estendido até as 7h de hoje.
     - Estamos de serviço 24 horas por dia, não tem por que não receber as doações durante a noite e manhã - explica o sargento Valério Pereira.
     Os donativos estão sendo recebidos tanto no Batalhão dos Bombeiros da Rua Sete de Setembro, Centro, próximo ao Terminal da Proeb, quanto na Base Norte, localizada na Rua Ari Barroso, no Salto do Norte.

AJUDA Ontem à noite bombeiros organizavam as doações de Blumenau - Fig. 4

Fonte: Jornal de Santa Catarina - Notícias - Tornado em SC / Dias para recomeçar - 23/04/2015 - p. 18-20
Imagens: Sirli Freitas - Especial (Fig. 1 e Fig. 2) + Rafaela Martins - B.D., 23/8/2013 (Fig. 3) + Patrick Rodrigues (Fig. 4)

AJUDA NECESSÁRIA

     É grande a angústia dos atingidos pelos tornados que se formaram no Oeste do Estado. A situação em nada se parece ao que passamos quando o rio transborda e a água invade nossas casas. Aqui elas serão lavadas e tudo segue como antes. Lá, elas foram destruídas sem aviso. E não só elas. Também os móveis, utensílios, roupas e memórias. Neste momento de dor inimaginável, vale toda e qualquer ajuda. As orientações estão na reportagem sobre o fenômeno desta edição.

Fonte: Jornal de Santa Catarina - Coluna do Pancho, o jornalista Francisco Fresard - 23/04/2015 - p. 3

Devastação causada pelo tornado em Xanxerê - Fig. 5

XANXERÊ: OS INCENTIVOS À RECONSTRUÇÃO

     A devastadora ação do tornado que atingiu a cidade de Xanxerê vai aos poucos mostrando, pelas reportagens dos jornais e televisão, as cenas dramáticas sobre a violência e a extensão da trágica ocorrência. E, lentamente, a população começa a gigantesca tarefa da reconstrução de suas casas e da cidade parcialmente destruída.
     No meio de tanta tristeza, a elogiável resposta de incontáveis instituições no atendimento emergencial às vítimas. Houve um despertar geral no Estado, com prefeituras e as principais associações corporativas - OAB, AMC, ACMP, CRC, etc. - convocando seus associados a uma nova rede de solidariedade.
     Na mesma direção, a pronta resposta das autoridades, outro fato positivo. Da presidente aos ministros, do governador aos secretários, do prefeito aos diretores, todos decidindo com agilidade e assinando atos que amenizam o sofrimento de milhares de famílias.
     Este esforço de solidariedade precisa continuar. Só quem passa por este drama consegue avaliar o que significa perder tudo. E não se trata apenas das perdas materiais. Afinal, o lar é o que abriga a história de vida das famílias e de seu patrimônio sentimental e cultural. Toda ajuda material e psicológica é vital agora e durante um bom tempo, Atender as emergências e elevar o astral para manter a esperança da reconstrução é o maior desafio deste momento.

Fonte: Jornal de Santa Catarina - Coluna de Moacir Pereira - 23/04/2015 - p. 6
Imagem: Sirli Freitas - Especial (Fig. 5)