segunda-feira, 18 de março de 2013

Paraíso: "Belezas do Oeste - I"

Em setembro de 2012, em seu caderno de Viagem, o Jornal de Santa Catarina dedicou um espaço ao Extremo Oeste de Santa Catarina. Neste post abordaremos o que foi publicado a respeito do município de Paraíso, um reduto desconhecido da maioria dos catarinenses que vivem na região do Vale do Itajaí e do litoral de Santa Catarina. A seguir, um extrato comentado do texto publicado pelo jornal.



Paraíso é uma das menores cidades da região, mas uma das mais visitadas, pois proporciona um dos  acessos do Estado à vizinha Argentina: é lá que fica a Ponte Internacional Peperi-Guaçú, que tomou o nome do rio que cruza, ligando a cidade a San Pedro, na Província de Misiones, distante cerca de 54 quilômetros.  A construção de uma aduana, junto à ponte, permite o intercâmbio com o país hermano. A ligação com a cidade argentina, em processo de pavimentação, é feita pela Ruta Nacional 14, uma das mais importantes da Argentina. O outro acesso fica em Dionísio Cerqueira, mais ao norte, na divida com o Paraná, que dá acesso à cidade argentina de Bernardo de Irigoyen. 

O caminho até a ponte, a partir do trevo de acesso a Paraíso, na BR-282, é de cerca de seis quilômetros. A paisagem compensa a visita: enormes paredões de pedra, como cânions, enfeitam ambos os lados da estrada. A cidade, de aspecto tranquilo, reserva uma agradável surpresa: a Cachoeira do Salto do Rio das Flores, cuja imagem ilustra este post. O atrativo exige certo esforço de quem deseja conhecê-lo, mas vale a pena percorrer a trilha curta, mas de alta dificuldade, com descidas íngremes e pedras escorregadias, que leva a ele. O acesso é por estrada de terra, em Linha Salto das Flores, distante cerca de 9 quilômetros do centro de Paraíso.

Adaptado das seguintes fontes:

Jornal de Santa Catarina - Viagem - terça-feira, 4 de setembro de 2012 - p. 1 - Texto: Mariana Furlan - Foto: Charles Guerra.

www.paraiso.sc.gov.br

terça-feira, 12 de março de 2013

Modelo: as meninas campeãs do "21° Moleque Bom de Bola"

Em nossa postagem anterior mostramos o sucesso dos municípios e escolas do Meio Oeste e Oeste de SC nas 21 edições do Projeto "Moleque Bom de Bola". Hoje rendemos justa homenagem às meninas da EEB Dom Helder Câmara de Modelo, campeãs da última edição em sua modalidade, em 2012.


No total do certame, foram centenas de jogos disputados no decorrer do ano nas diversas fases - escolar, municipal, regional e estadual -, até a grande final, disputada no município de Gaspar em 04/11/2012, entre a EEB Dom Helder Câmara, de Modelo, e a Escola Alinor Viera, de Papanduva. As meninas de Modelo venceram por 1 a 0, após uma campanha invicta. Plenamente justificada a sua alegria na foto acima, devidamente condecoradas como campeãs do torneio.

Mas a façanha não se deu sem muito trabalho. Foram meses de uma rotina puxada de treinamentos, três vezes por semana pelo período de uma hora e meia, levadas a cabo pelo técnico Cleto Schuster e seu auxiliar Milton Wojahn. O técnico, radiante pela conquista, não tem dificuldades para descrever as características que levaram o grupo ao primeiro lugar na competição: união, perseverança e vontade de vencer, aliados à boa organização tática da equipe, a uma defesa muito forte e ao espírito de humildade das meninas, todas muito unidas e dispostas a ajudar o grupo. Há aproximadamente seis anos a escola vinha participando do "Moleque Bom de Bola", mas nunca conseguira chegar à etapa estadual. A vitória na final premiou a viagem de 540 km e quase 11 até Gaspar, a mais longa já empreendida pela equipe numa competição.

As 16 atletas campeãs são: Gabriela Luiza Cerizolli, Debora Rintzel, Mariane Frigo, Paola Reichert, Laura Spenazzatto, Luana Vasiak, Leticia Vasiak, Carolina Stella Cesco, Gabriele Julia Jacoby, Julhana Tais Bulegon, Alessandra Quevedo, Marilene Felippi, Micheli, Jaqueline C. Bozim, Thais Moreira da Silva, Daiara Sabine Fuhr e Luana Varonica L. Diel.

Um dos destaques da equipe no torneio foi a capitã Laura Spenazzatto, autora do gol da vitória na final e uma das goleadoras da competição. É um dos pontos fortes do sistema ofensivo da equipe, com destaque na bola parada. Segundo seu técnico, é uma atleta diferenciada, com um talento natural de liderança. Natural de São Miguel do Oeste, tem 14 anos de idade, mas já começou a jogar aos 7, e sempre que podia, jogava com os meninos. Gremista, fã de Lionel Messi e da premiadíssima jogadora Marta e, apesar de saber de todas as dificuldades que isso envolve, seu sonho é ser jogadora profissional e chegar à Seleção Brasileira. Boa sorte, Laura!

A cidade de Modelo tem todos os motivos para se orgulhar de suas meninas campeãs, pelo importante e inédito título que conquistaram para a cidade. 

Adaptação feita a partir de: INFORME COMERCIAL: Caderno Moleque Bom de Bola, veiculado no Jornal de Santa Catarina em 10/11/2012 - Textos: Amplocom Soluções em Comunicação - Fotos: Giovanni Silva - Diagramação: Edson Egerland.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Em memória de Edmar de Oliveira Pinto, o Edinho (1951 - 2013).

O Edinho faleceu ontem, quinta-feira, 07 de março de 2013. 
Aos amigos e familiares, nosso sincero desejo de consolo e conforto neste período de profunda tristeza e dor. 
Pensei cá comigo como poderia homenagear a memória deste amigo. Creio que não poderia ter encontrado uma forma melhor do que esta*:


"Caro mais que amigo Wieland.

Hoje, em um misto de pesar, alívio e lamento, comunico o falecimento do Edinho. Findaram-se oito anos de uma luta inglória e covarde contra o câncer.
Nos últimos dias nos foi dito que os encontros com ele já não seriam mais os mesmos: "O Edinho já não sabe mais quem são vocês".
Para nós isso não importava, pois uma certeza havia em nosso peito: "Nós sabemos quem é o Edinho!".

Ao Edinho não se deve nada, porque ele nunca cobraria.
O que existe na verdade é um sentimento imensurável de Gratidão, mesmo que ele nunca aceitasse os nossos constantes "Muito Obrigado!".

Generosidade. Sim, esta parece uma palavra tão simples, mas que tem sua dimensão ampliada de forma extraordinária quando associada a este Homem.
Meus mais puros sentimentos só tem uma manifestação: Gratidão!

Agradeço por seu pioneirismo e competência em qualificar constantemente a imagem do profissional de Educação Física, pelo apoio irrestrito ao meu crescimento profissional, por acreditar no meu potencial, inclusive nas horas em que eu não acreditava mais. Por ser meu Pai Profissional, conselheiro, incentivador e amigo. Pelas vezes em que na sua profunda humildade desceu de seu merecido posto e pôs-se na condição de meu fiel escudeiro, fundamentalmente quando não somente deixei cair o escudo, mas quando tive vontade de arremessá-lo ao vento.

O nobre Edinho nunca publicou um só artigo indexado, pubmed não era seu site preferido e o qualis não regia o seu currículo. No entanto, redigiu de forma indelével em nossos corações uma carta de compromisso com a profissão, a instituição, a sociedade, os amigos e aqueles que jamais saberemos que foram ou serão beneficiados com o nosso trabalho.

Nunca vi um único plano de aula do Edinho, mas tudo bem, pouco me importa, pois tive o prazer de ser seu aluno na primeira fila e de lá poder, com cara de admiração, aprender sobre os golpes que a vida pode dar em um homem, sobre como é preciso ser flexível, tolerante e centrado. Às vezes ele não ensinava por conduta própria, mas sim por experiências equivocadas. Um professor se faz assim, creditando suas palavras pelos acertos ou admitindo erros e transformando-os em conselhos. Professor é também aquele que professa, que apresenta oportunidades e deixa livre para as escolhas. Sendo assim, "Obrigado, meu Professor Edinho!".

Para nós da Educação Física da UNOESC Joaçaba que compartilhamos a vida do Edinho, fica a certeza de que seu legado está em cada documento emitido pelo Curso, em cada artigo publicado, em cada desejo de qualificação profissional que invade nossos dias, em cada bola que é suavemente driblada pelos acadêmicos, em cada bambolê que orbita a cintura de uma criança dos projetos de extensão, em todos os projetos de capa verde para construção, ampliação, ajuda de custo e compra, em cada reunião de colegiado, em cada jantar de acadêmicos e professores, em cada abraço fraterno que trocamos.


Há momentos em nossas vidas em que o poder das palavras perde sua força diante dos fatos. É neste momento que fica meu mais profundo "Muito Obrigado!".

Desejo a todos que a vida lhes oportunize a espetacular experiência que tive, ou seja, poder conhecer um amigo generoso, leal e que sabia como poucos, no meio dos momentos mais complexos, estampar um sorriso em nosso rosto.

Hoje será um dia de Vinho e Chico Buarque.

"Obrigado, Edinho!"

Um Abraço Fraterno com a Força do Discóbolo,

Rudy"

* Mensagem recebida na noite de ontem do amigo Prof. Dr. Rudy José Nodari Junior, a quem devo o privilégio de ter conhecido o Edinho.

Foto: www.clicrbs.com.br/anoticia - A NOTÍCIA - Informal / Maceió - HERÓIS ANÔNIMOS - O super-homem - 06 de dezembro de 2009 - No. 607 - autor da foto não citado.

sábado, 2 de março de 2013

Projeto "Moleque Bom de Bola": um olhar para a participação do Oeste e do Meio Oeste de SC

O Projeto "Moleque Bom de Bola" surgiu em Santa Catarina no ano de 1992, resultado de uma iniciativa da Fundação Catarinense de Esporte (FESPORTE) e da RBS TV. Em 1995 passou a ter a parceria da Parati S/A, empresa do ramo alimentício com sede em São Lourenço do Oeste.  O sucesso do empreendimento fez com que fosse levado aos estados vizinhos: "Guri Bom de Bola", no Rio Grande do Sul (1998), e "Piá Bom de Bola", no Paraná (1999). Projeto Social da Parati, em 2012 aconteceu a 21a. edição da competição em SC, que desde o início conta com a participação do Oeste e Meio Oeste. 


No período de 1992 a 2002 as equipes participantes representavam seus municípios. Isso mudou em 2001, quando passaram a representar instituições de ensino, e quando tiveram início as disputas femininas. O objetivo do campeonato escolar é promover o esporte amador, a educação para a cidadania e o desenvolvimento humano, democrático e integral de crianças e jovens. Podem participar meninos e meninas na faixa etária de 12 a 14 anos, que estejam matriculadas em escolas públicas ou privadas de seus municípios. 

A seguir uma retrospectiva das vitórias da região Oeste e Meio Oeste na competição:

  • 1992: Chapecó (masc)
  • 1993: Chapecó (masc)
  • 1998: Chapecó (masc)
  • 2001: EEB Pe. Balduíno Rambo - Tunápolis (fem)
  • 2002: EEB São Vicente - Itapiranga (fem)
  • 2003: EEB São Vicente - Itapiranga (masc) / EEB Pe. Balduíno Rambo - Tunápolis (fem)
  • 2004: EEB São Vicente - Itapiranga (masc) / EEB Pe. Balduíno Rambo - Tunápolis (fem)
  • 2005: EEB Pe. Balduíno Rambo - Tunápolis (fem)
  • 2006: EEB Pe. Balduíno Rambo - Tunápolis (fem)
  • 2007: EEB São Vicente - Itapiranga (masc)
  • 2008: EEB São Vicente - Itapiranga (fem)
  • 2009: EBM Maria Luiza Osório Zummer - Tangará (fem)
  • 2010: EEB São Vicente - Itapiranga (masc)
  • 2011: Colégio Cenecista Marcos Olsen - Caçador (fem)
  • 2012: EEB Dom Helder Câmara - Modelo (fem)

A retrospectiva mostra a força da região na modalidade, fruto do incentivo dado aos alunos por suas escolas. 

Pela sua importância no cenário nacional na faixa etária a qual se dedica, o "Moleque Bom de Bola" acaba sendo uma vitrine para os atletas e um formador de craques. Alguns exemplos de atletas que encontraram no projeto a oportunidade de mostrar sua habilidade em campo e realizar o sonho de se tornar jogador profissional: Eduardo Costa, que participou da competição por Antônio Carlos e é jogador do Vasco da Gama; Marcos Vicente dos Santos, o Marquinhos, jogou por Biguaçu e hoje é atleta do Grêmio; e Fábio Pinto, que participou por Itajaí e desde setembro de 2008 joga no Pakhtakor Tashkent, do Uzbequistão.

Luis Carlos Cruz, observador técnico da Parati Alimentos, que já foi técnico da Chapecoense, do Joinville, do Avaí e do Figueirense, além de outros clubes no Brasil e Exterior, agora comanda uma seleção de atletas com vistas à criação de um centro de formação de novos talentos do futebol em SC. Ele observa a técnica dos atletas nos jogos e proporciona um início de carreira àqueles que estão se revelando. Eis seus comentários a respeito de dois destaques da região Oeste que atuaram em 2012, na 21a. edição da competição: Otaviano Jesus R. Junior, o Juninho, da Escola Marcos Olsen, de Caçador, e Renan Correa Kolling, da Escola Irineu Bornhausen, de Águas de Chapecó.



O mesmo Juninho é o autor daquele que foi considerado o gol mais bonito da competição em 2012: 


Pré-requisitos para participar do "Moleque Bom de Bola"
  • Estar matriculado numa escola
  • Ter entre 12 e 14 anos
  • Ter boas notas
  • Estar em dia com a escola

Objetivos do projeto
  • Promover a cidadania e a educação no tempo livre através do esporte amador
  • Revelar craques para os grandes times do Brasil e do mundo
  • Promover o intercâmbio entre alunos e escolas de cidades diferentes
  • Promover o relacionamento e a sociabilidade entre jovens e adultos
  • Despertar e destacar talentos pessoais e o trabalho de equipes
  • Promover a paz e o protagonismo juvenil
  • Preparar o jovem para a vida e os desafios do presente e do futuro
  • Promover novos valores com liberdade e responsabilidade
  • Formar craques na vida e campeões na cidadania

Etapas do projeto
  • Escolar: cada escola faz a sua disputa dentro dos municípios participantes
  • Municipal: seleção das melhores equipes de cada cidade
  • Regional: desenvolvida em cada sede das regiões
  • Estadual: disputada em uma única etapa, com as 16 equipes melhor colocadas nas etapas em cada modalidade - masculina e feminina.

Parabéns à 'molecada boa de bola' do Oeste e Meio Oeste! 


Adaptação feita a partir das seguintes fontes:

INFORME COMERCIAL: Caderno Moleque Bom de Bola, veiculado no Jornal de Santa Catarina em 10/11/2012 - Textos: Amplocom Soluções em Comunicação - Fotos: Giovanni Silva - Diagramação: Edson Egerland.

www.parati.com.br

www.bomdebolaparati.com.br

www.esportesemdebates.blogspot.com


quarta-feira, 18 de abril de 2012

Curitibanos: "Retratos do desenvolvimento" - 24/11/2011

Esta encerra o ciclo de postagens que reproduzem parcialmente o encarte "Retratos do desenvolvimento", veiculado originalmente nos jornais do Grupo RBS em Santa Catarina. É justo dedicar este espaço ao município de Curitibanos, por ter dado origem a Campos Novos e outros municípios, e assim sido berço de diversos municípios do Meio Oeste de Santa Catarina. Boa leitura!


          Curitibanos é um dos municípios de referência em Santa Catarina. Com uma população de cerca de 38 mil moradores, localiza-se no centro do Estado e tem ligação com as BRs 116, 282 e 470, pontos estratégicos de transporte de mercadorias.
          Primeiro núcleo populacional do Planalto Catarinense, Curitibanos nasceu como pouso de tropeiros sulinos que levavam gado do Sul para as capitanias do centro do país. Palco das revoluções Farroupilha e Federalista e também da famosa Guerra do Contestado, foi parcialmente destruída pelo fogo em 1914, incendiada por centenas de fiéis em um feroz protesto contra a ofensiva militar nas cidades santas, a República e a propriedade privada de terras.
          Renascida nas cinzas, conserva a vocação de bem acolher os turistas. De sua área original desmembraram-se os municípios de Santa Cecília, Lebon Régis, Ponte Alta, Campos Novos, Canoinhas e parte dos territórios de Fraiburgo, Caçador e Matos Costa.
          Parte desta história está guardada no museu Antônio Genemann de Sousa. O museu foi fundado em 1972, no antigo prédio da prefeitura. Os principais artigos e registros históricos encontrados lá são os da Guerra do Contestado. Ao lado fica localizada a Igreja Matriz Imaculada Conceição, com destaque para a pintura nas paredes e no teto.

          O crescimento da cidade de Curitibanos pode ser visto das partes mais altas do município. Da imagem feita em 1942, nada mais resta. Os poucos ranchos de madeira deram lugar a casas e edifícios residenciais. É o que se enxerga comparando do mesmo ângulo o antigo Morro do Hospital, hoje conhecido como Morro do Asilo.
          Além da importância histórica, Curitibanos tem muitas belezas naturais. Campos verdes, araucárias seculares e degraus de rocha basáltica formando saltos e cachoeiras nos rios da região, além de fazendas centenárias.

POLO MULTICULTURAL ATUAL

          Com boa infraestrutura urbana, Curitibanos conta com rede hoteleira de qualidade, além de bons restaurantes. Como os primeiros colonizadores foram os tropeiros vindos do Sul, as tradições gaúchas estão presentes no modo de vestir, no linguajar, nas cantigas e na alimentação. Mas a vinda dos imigrantes italianos, alemães e japoneses alterou os costumes e a economia, transformando a cidade em polo multicultural. Em setembro, a Semana Farroupilha revive as tradições gaúchas, com manifestações culturais. Um dos marcos é o Capão da Mortandade, lugar de um sangrento combate ocorrido em 1842, batizado com esse nome por causa do grande número de vítimas. Fala-se em 400. Em maio, a Expocentro realiza exposição agropecuária, industrial, comercial e de artesanato, com shows e bailes.

PLANO PARA SE DESENVOLVER

          A administração do município lançou recentemente o Plano Diretor de Desenvolvimento Socioeconômico para os próximos 20 anos, dando início ao Projeto Curitibanos 2031. O programa inclui quase 30 ações pontuais nas áreas de infraestrutura, saneamento, educação, saúde, lazer, esportes, indústria e comérco e bem-estar social. São obras e ações que, de acordo com o prefeito de Curitibanos, Wanderley Agostini, ao serem promovidas provocam uma "reação em cadeia" e repercutem em desenvolvimento em todos os setores, especialmente o social, com elevação da oferta de emprego e geração de renda.

População: 37.748 habitantes em 2010
Área: 952,285 km2
Quem nasce lá é... curitibanense
Emancipação: 11 de junho de 1869

Reportagem: Ângela Bastos, Melissa Bulegon e Paola Loewe.
Fotos históricas: Acervo do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina
Fotos atuais: Eduardo Cavalcanti, Felipe Carneiro e Alvarélio Kurossu.
Fonte: Retratos do desenvolvimento. Passado, presente e futuro das cidades catarinenses a partir de fotos históricas: Oeste , Meio-Oeste e Serra. Grupo RBS. Diário Catarinense, A Notícia e Jornal de Santa Catarina: 24/11/2011. p. 6-7.

domingo, 8 de abril de 2012

Lages: "Retratos do desenvolvimento" - 24/11/2011

Na postagem anterior comentamos o surgimento de vários municípios do Meio Oeste de Santa Catarina a partir de território que no passado pertenceu a Lages. O processo teve início com a criação do município de Curitibanos, que mais tarde deu origem ao de Campos Novos. Este, por sua vez, deu vida a outros municípios atualmente situados no Meio Oeste catarinense - vide postagem anterior.


           O cenário do Centro da cidade de Lages possibilita uma volta ao passado. Alguns de seus antigos prédios conservam ainda traços originais de décadas. Suas praças guardam monumentos que contam a história iniciada no começo do século 18, com a chegada dos primeiros europeus* que se fixaram no município. O povoamento dos "Campos de Lagens" decorreu da necessidade de se abrir caminho para atingir as campinas do Rio Grande do Sul, ricas em gado, o que despertava nos paulistas e mineiros a ambição de estabelecer intenso comércio com os estacieiros gaúchos.
          Parte desta história de crescimento e evolução de um dos principais municípios catarinenses é testemunhada pela Catedral Nossa Senhora dos Prazeres, feita de pedra-sabão e iniciada em 1912 pelos padres franciscanos. Foram 10 anos de obras de uma estrutura arquitetônica refletida em vitrais e que surpreende pela beleza e sentimento de solenidade que provoca em seus visitantes.
          Falar da Catedral de Lages é exaltar o trabalho desenvolvido pela Igreja Católica, especialmente a partir da criação da sua diocese. Até 1926, a Igreja em Santa Catarina encontrava-se organizada numa única diocese, a de Florianópolis.
         
         

     Devido à extensão geográfica e às necessidades pastorais, as primeiras dioceses desmembradas foram Joinville e Lages. Dom Daniel Hostin foi o primeiro bispo diocesano de Lages, seguido por Honorato Piazzera. Com a nomeação de dom Honorato, a Diocese de Lages não sofreu interrupção de continuidade. Seu episcopado foi marcado por sua bondade, simplicidade e diálogo constante. Faleceu em 1990 e seu corpo sepultado na cripta da Catedral Diocesana. Na sequência, assumiu dom Oneres Marchiori. Hoje, o comando está com dom Irineu Andreassa, nomeado bispo diocesano de Lages pelo Papa Bento XVI no dia 11 de novembro de 2009.


          A trajetória da Igreja em Lages tem se dado dentro de uma ação social. Isso decorre desde os primeiros tempos. Um pouco afastado da catedral, entre as ruas Correia Pinto e Nossa Senhora dos Prazeres, um prédio serve como símbolo deste engajamento. Popularmente chamado de Casa do Bispo, o prédio foi tombado e conserva parte do traçado com sua sacada, aberturas e portão de acesso. Ao lado, um edifício residencial com três andares. Um casarão antigo é vizinho do prédio que abrigou a Cáritas Diocesana. A rua ganhou asfalto, e a calçada, em lajotas, também está conservada.

POTENCIAL NO TURISMO RURAL
         
        Lages ficou conhecida pelas tradições na pecuária. Seus primeiros ciclos econômicos foram os do couro, da carne e da erva-mate. O município ainda tem o maior rebanho bovino do Estado, com cerca de 76 mil cabeças. O ciclo econômico da madeira teve seu auge entre 1950 e 1970. Para se ter uma ideia da importância desta matéria-prima, até Brasília, que surgia no final dos anos 1960**, foi moldada com madeira de Lages. Com o fim da exploração da madeira, a economia sofreu um revés. Uma das saídas foi o plantio de pinus.
          Lages possui infraestrutura moderna e um povo hospitaleiro, o que rendeu à cidade o título de Capital Nacional do Turismo Rural. As fazendas com taipas centenárias atraem visitantes, que usufruem o prazer da lida campeira. São comuns os eventos e festas, com destaque para o artesanato, folclore regionalista com suas danças, música e gastronomia.
          A influência dos imigrantes e de costumes de outros estados temperam a farta culinária regional. Lages é privilegiada pela natureza e pelo clima. As coxilhas despontam como um potencial turístico fundamental ao turismo no meio rural.
          A mata de araucária é a vegetação predominante na Serra Catarinense. A floresta de araucária é frequentemente entrecortada por extensas áreas de pastagens nativas. O relevo é constituído de um planalto de superfícies planas, onduladas e montanhosas.

FUTURO PASSA PELO EMPREGO
         
          O desenvolvimento econômico de Lages passa pela geração de novos postos de trabalho. A realidade atual de desemprego é enfrentada por muitos lageanos, com isso, a necessidade de expansão, aumento de produção e de exportação de empresas, como a Vossko, companhia alemã fundada em 2003, com a meta de produzir artigos de frango cozido para o atacado e supermercados, assim como produtos especiais, para o processamento industrial.
          O município investe em infraestrutura, como a reforma e revitalização geral do Terminal de Passageiros do Aeroporto Federal Antônio Correia Pinto de Macedo. O governo assumiu a reforma da pista, e a prefeitura ficou responsável pela parte do terminal de passageiros e pelo saguão do aeroporto.
          Recentemente, Lages recebeu o Certificado da Campanha Mundial de Redução de Desastres, organizada pela UNO. Com a certificação, a cidade fica credenciada a encaminhar projetos diretamente para a ONU. A Campanha Estratégia Internacional para Redução de Desastres (EIRD/ONU) se pauta na crescente urbanização mundial e nos problemas decorrentes de uma ocupação desordenada, em contraponto à necessidade de prever riscos e criar ferramentas de adaptação. O plano quer utilizar a habilidade de uma comunidade exposta a riscos, resistir, absorver, acomodar-se e reagir.

População: 156.727 habitantes em 2010
Área: 2.629, 789 km2
Quem nasce lá é ... lageano
Emancipação: 25 de maio de 1860


* Antônio Correia Pinto de Macedo, mais conhecido por Correia Pinto, foi o desbravador que iniciou, em 1766, a povoação que daria origem a Lages. No entanto, a impropriedade do terreno fez com que mudasse três vezes seu local de fundação. Declarou fundada a Vila de Nossa Senhora dos Prazeres das Lagens em 22/05/1771.

** O correto é "no final dos anos 1950".

Reportagem: Ângela Bastos, Melissa Bulegon e Paola Loewe.
Fotos históricas: Acervo do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina
Fotos atuais: Eduardo Cavalcanti, Felipe Carneiro e Alvarélio Kurossu.

Fonte: Retratos do desenvolvimento. Passado, presente e futuro das cidades catarinenses a partir de fotos históricas: Oeste , Meio-Oeste e Serra. Grupo RBS. Diário Catarinense, A Notícia e Jornal de Santa Catarina: 24/11/2011. p. 6-7.




segunda-feira, 2 de abril de 2012

Lages: Os primórdios do Meio Oeste de Santa Catarina

Vasculhar o passado leva a descobertas interessantes. Ao longo da divulgação dos textos do encarte "Retratos do desenvolvimento", nos demos conta de que alguns municípios do Meio Oeste de Santa Catarina têm sua origem em território que no passado pertenceu a Lages, na Serra Catarinense.

Lages no passado
A relação de Lages com o Meio Oeste teve início com a criação do município de Curitibanos, do qual, posteriormente, teve origem o de Campos Novos. Deste último, como se verá, originaram-se outros que hoje se situam no Meio Oeste. Por este motivo, em breve dedicaremos também a Lages e Curitibanos seu merecido espaço na divulgação dos "Retratos do desenvolvimento".

           Lages deu origem ao município de Curitibanos, criado pela Lei No. 635 de 11/06/1869.

          Curitibanos contribuiu para o surgimento de diversos municípios, mas à presente abordagem bastam as menções a Campos Novos, criado pela Lei No. 923 de 30/03/1881, e Fraiburgo, criado pela Lei No. 797 de 20/12/1961.

          Campos Novos, por sua vez, deu origem a Caçador, criado pela Lei No. 508 de 22/02/1934, Capinzal e Piratuba, criados pela Lei No. 247 de 30/12/1948, e Erval Velho, criado pela Lei No. 889 de 18/06/1963.

          Caçador, posteriormente, daria origem aos municípios de Videira, criado pela Lei No. 941 de 31/12/1943, e Rio das Antas, criado pela Lei No. 348 de 21/11/1958.

          Capinzal deu sequência ao processo, dando origem ao município de Ouro, criado pela Lei No. 870 de 21/01/1963.

          Piratuba contribuiu com a criação de Peritiba, pela Lei No. 887 de 14/06/1963, e Ipira, pela Lei No. 888 da mesma data.

           Ouro deu origem a Dois Irmãos, criado pela Lei No. 931 de 11/11/1963, e na mesma data, a Lacerdópolis, criado Lei No. 932. Pela Lei No. 1037 de 29/12/1965, o município de Dois Irmãos teve seu nome alterado para Presidente Castello Branco.

          Videira originou Tangará, criado pela Lei No. 247 de 30/12/1948, Salto Veloso, criado pela Lei No. 782 de 15/12/1961, Arroio Trinta, criado na mesma data pela Lei No. 783 e Pinheiro Preto, criado pela Lei No. 817 em 04/04/1962.

          Tangará deu origem a Mararí, criado pela Lei No. 879 de 05/04/1963. No entanto, a emancipação do antigo distrito foi considerada inconstitucional em decisão do Supremo Tribunal Federal de 22/10/1964, o que levou à suspensão da criação do Município de Mararí, pela Resolução No. 53 de 20/05/1965 do Senado Federal.

          A origem de diversos destes municípios aparece de forma simplificada, reduzida à lei que os criou. No entanto, sua história é mais complexa, pois, ao longo do histórico de sua povoação, podem ter, ainda que parcialmente, pertencido, na forma de distritos ou de pequenas localidades, a outros municípios. Ressalvamos que é possível que novos municípios tenham sido criados posteriormente a partir dos já citados, em processos de emancipação político-administrativa ocorridos nas últimas décadas, mas entendemos ser o acima exposto suficiente para demonstrar o papel de Lages e Curitibanos na formação geopolítica do Meio Oeste catarinense.

Fonte: CABRAL, Oswaldo R. História de Santa Catarina. Florianópolis: Lunardelli, 1987.
Imagem: acervo do IBGE.