terça-feira, 20 de março de 2012

Joaçaba: "Retratos do desenvolvimento" - 24/11/2011

Damos continuidade à reprodução das matérias do encarte "Retratos do desenvolvimento" referentes aos municípios do Meio Oeste e Oeste de Santa Catarina, distribuído pelos jornais do Grupo RBS no final de 2011. Na presente postagem, o texto sobre o município de Joaçaba, que, juntamente com Herval d'Oeste, por conta de eternos laços fraternos construídos há precisos 10 anos, e do rio que a corta, considero cidade-irmã da minha terra natal.


          O cheiro doce ainda está no ar. Não saído da chaminé da velha fábrica, mas na memória dos antigos moradores da Rua XV de Novembro, Centro de Joaçaba. Os primeiros registros da rua são de 1925, a principal testemunha do crescimento do município. Se hoje seus quarteirões estão ocupados por lojas, fábricas, repartições públicas e edifícios residenciais, no passado abrigavam, entre outros estabelecimentos, uma pequena indústria de guloseimas. A comerciante Delci Fappa, 70 anos de vida e 50 como moradora, lembra bem desses tempos:
          - Era um cheirinho... Aqui era a "rua dos ricos", com muitas mansões. As famílias com menos posses moravam em outros lugares. Tudo era muito diferente de hoje, sem asfalto e bem menos movimento.
          Outros moradores mencionam também uma moenda de café, aproveitando-se da farta produção de pés nas chácaras nos arredores. Agora, no lugar dos antigos casarões, novos estabelecimentos. Laboratórios, lojas, espaços comerciais e edifícios residenciais. A Rua XV de Novembro, palco também do Carnaval da cidade, assiste à expansão de um núcleo que começou com a colonização de famílias gaúchas, principalmente as da região de Caxias do Sul, de origem italiana e alemã que, de posse de pequenas colônias de terra, deram os primeiros passos na produção agrícola.


          A área do município, durante muitos anos, era expressiva territorialmente, com terras férteis e matas nativas, o que proporcionou a exploração da madeira e da erva-mate, atividades que eram desenvolvidas paralelamente à agricultura. Mais tarde, começaram a surgir as primeiras indústrias de implementos agrícolas, acentuando as atividades comerciais e formando a base econômica do município, que passou a liderar uma região potencialmente produtiva. Com o forte comércio já predominando e com o surgimento das primeiras indústrias no segmento metalmecânico, a cidade de Joaçaba consolidou sua posição de destaque no cenário estadual.
          O decreto-lei que criou o município é o 1147, de 25 de agosto de 1917, sancionado pelo então governador do Estado, coronel Felipe Schmidt. O município, com o nome de Cruzeiro e sede provisória em Limeira só foi instalado em novembro de 1917. A Lei Municipal número 15, de 02 de janeiro de 1919, criou o Distrito de Limeira e a Lei Estadual 1243, de 20 de agosto do mesmo ano, transferiu a sede para o povoado de Catanduvas, que passou à categoria de vila, com o nome de Cruzeiro.
          Em 1926, pelo Decreto Estadual 1848, a sede retornou ao povoado de Limeira. Em 1938, pelo Decreto Estadual 86, a Vila Cruzeiro do Sul foi elevada à categoria de cidade, com o nome de Cruzeiro. Finalmente, em 1943, pelo Decreto-Lei Estadual número 238, de 31 de dezembro, município e cidade passaram a denominar-se Joaçaba.
          Em obediência à legislação federal que proibia a duplicidade de topônimos para cidades e vilas brasileiras, o município e a cidade passaram a denominar-se Juaçaba, palavra que em tupi-guarani quer dizer "encruzilhada" ou "cruzeiro", para alguns, e "cruz dos índios", para outros. Logo depois, a Câmara dos Vereadores modificou o termo para Joaçaba.
          Com o passar dos anos, o grande território começou a diminuir em virtude do crescimento das vilas e distritos. Catanduvas, Luzerna e Herval d'Oeste, hoje consideradas cidades-irmãs, junto com Joaçaba, tornaram-se independentes, porém, ainda muito ligadas à Capital do Meio-Oeste.

População: 27.020 habitantes em 2010
Área: 232,354 km2
Quem nasce lá é ...joaçabense
Emancipação: 25 de agosto de 1917

Reportagem: Ângela Bastos, Melissa Bulegon e Paola Loewe.
Fotos históricas: Acervo do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina
Fotos atuais: Eduardo Cavalcanti, Felipe Carneiro e Alvarélio Kurossu.

Fonte: Retratos do desenvolvimento. Passado, presente e futuro das cidades catarinenses a partir de fotos históricas: Oeste , Meio-Oeste e Serra. Grupo RBS. Diário Catarinense, A Notícia e Jornal de Santa Catarina: 24/11/2011. p. 6-7.


domingo, 11 de março de 2012

Videira: "Retratos dos desenvolvimento" - 24/11/2011

Esta é nossa primeira incursão na história do importante município de Videira, reproduzindo, integralmente, matéria publicada no encarte "Retratos do desenvolvimento", como parte integrante do Jornal de Santa Catarina e de outros veículos do Grupo RBS em Santa Catarina.


          A ponte de madeira deu lugar a uma nova, de cimento, mas o lugar é quase o mesmo. O trânsito, no entanto, está muito mais intenso. Inaugurado em 25 de março de 1934, o elo entre as vilas Perdizes e Victória é testemunho do crescimento da hoje Videira. Projetada pelo construtor alemão Otto Koert, foi batizada de Ponte Luiz Kellermann e foi considerada uma referência na época, por não ter pregos ou parafusos. A madeira era apenas encaixada.
          Réplica e dados estão no museu da cidade, explicando tratar-se da maior ponte do mundo em vão livre, com 67 metros, e feita de madeira a partir de árvores extraídas das margens do Rio do Peixe. Como exemplo, um angico com um metro de diâmetro e cinco metros de largura.
          Em 1949, foi substituída pela Ponte Aderbal Ramos da Silva, com passarela para pedestres e trânsito de veículos em sentido único.


          Além das mudanças na própria ponte, a paisagem ao redor do Rio do Peixe modificou-se bastante ao longo do tempo. Ao fundo, o que no passado seria, de acordo com o relato dos moradores, uma fábrica de banha, hoje é ocupado por uma revenda de motocicletas. No Bar Brasil, ainda no local, alguns traços remetem para um antigo armazém. Uma réplica do que seria a casa do telégrafo hoje abriga um posto da Polícia Militar.
          A colonização da cidade de Videira iniciou-se em 1918, na então Vila do Rio das Pedras. Em 1921, para atrair novos colonos, mudou o nome para Perdizes. Mais tarde, foi necessário unir Perdizes a outra localidade para facilitar a vida das famílias. A instalação oficial do município em 1944, 10 anos depois da Ponte Kellermann estar em atividade.
          O nome Videira deve-se ao fato de a região ser um grande centro vitivinicultor de Santa Catarina. O avanço dos parreirais na região deu origem à primeira Festa da Uva, realizada no ano de 1942. Desde então, o evento se repete e recupera a memória dos moradores, com a animação italiana característica.

VINHO, MUSEU E ASTRONOMIA

          A maioria dos atrativos turísticos de Videira está ligada ao vinho, como o Museu do Vinho, onde se reproduz a forma de produção da bebida na época da colonização.
          O Museu do Vinho Mário de Pellegrin está localizado no eixo cultural da cidade, que compreende a Igreja Matriz, a Praça do Coreto e a Biblioteca Municipal Euclides da Cunha. O museu conta a história da uva e do vinho por meio da exposição de equipamentos usados pelos primeiros colonizadores para a fabricação do vinho colonial. Videira possui rios, cascatas e áreas verdes. Vários sítios e fazendas da região são excelentes para a prática do turismo rural, com direito a gastronomia típica, vinho artesanal, produtos coloniais, passeios, trilhas e visita a pomares. Desde 2003, Videira possui um observatório astronômico aberto à visitação.

INDÚSTRIAS PARA O FUTURO

          A diversificação econômica, que abrange setores como pecuária, fruticultura e automação, faz de Videira um polo econômico. A prefeitura adquiriu um terreno para a construção do novo distrito industrial, destinado a micro e pequenas empresas, além de duas áreas para a construção de loteamentos habitacionais e um terreno para a nova rodoviária. A área é de 121 mil metros, avaliada em R$ 544 mil, e fica na localidade de Campina Bela, a apenas dois quilômetros do Centro. Videira é o berço da Perdigão, empresa responsável pelo desenvolvimento da cidade. Sede da secretaria regional, Videira foca agora no desenvolvimento de técnicas para aprimorar a produção e posicionar sua economia como uma das principais do Estado.

População: 47.188 habitantes em 2010
Área: 377,856 km2
Quem nasce lá é...videirense
Emancipação: 29 de janeiro de 1953

Reportagem: Ângela Bastos, Melissa Bulegon e Paola Loewe.
Fotos históricas: Acervo do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina
Fotos atuais: Eduardo Cavalcanti, Felipe Carneiro e Alvarélio Kurossu.


Fonte: Retratos do desenvolvimento. Passado, presente e futuro das cidades catarinenses a partir de fotos históricas: Oeste , Meio-Oeste e Serra. Grupo RBS. Diário Catarinense, A Notícia e Jornal de Santa Catarina: 24/11/2011. p. 6-7.

Caçador: "Retratos do desenvolvimento" - 24/11/2011

O município de Caçador mereceu nossa atenção em postagem de 14 de julho de 2010. Hoje, com a reprodução do texto do encarte "Retratos do desenvolvimento" publicado no Jornal de Santa Catarina em 24/11/2011, damos mais uma pequena contribuição à divulgação da sua história.


          O Ginásio Aurora está na memória dos moradores de Caçador, no Meio-Oeste. Fundado em 1928 pelo casal Dante e Albina Mosconi, no Bairro Santelmo, o Colégio Aurora foi um marco para o desenvolvimento da cidade. O método de educação do Aurora era referência. Famílias de todas as regiões traziam seus filhos para estudar ali. Com 79 anos de idade, o comerciante Osvaldo Mariani lembra dos tempos em que foi um dos internos:
          -  O ensino era exemplar. Quando a gente concluía o ginasial, que seria hoje até o sexto ano, sabíamos tanto quanto muitos cursos universitários de hoje - conta Mariani, proprietário de uma loja de aviamentos a poucos metros de outro marco caçadorense, a ponte de madeira sobre o Rio do Peixe, a Antônio Bortolon.
          Hoje, no local onde existia o Ginásio Aurora está instalado o Colégio Bom Jesus Aurora, que pertence a uma rede. Do prédio de madeira, que abrigava por ano em torno sw 80 alunos internos, apenas uma parte foi mantida e abriga a biblioteca.


          Chegaram o asfalto, a rede elétrica e as casas, sinal da evolução que acompanha Caçador - segundo a história, antes de se tornar município, a região do Alto Vale do Rio do Peixe era uma grande floresta. Seus primeiros habitantes, depois dos índios, chegaram no início do século XIX. Eram caboclos oriundos da miscigenação de portugueses e espanhóis com os nativos Kaigang e Xokleng.
          Em 22 de fevereiro de 1934, foi criado o município de Caçador. Um fato ocorrido na década de 1940 e narrado por Domingos Paganelli foi que uma lei federal dizia que não poderia existir dois nomes iguais para municípios - o nome Caçador já existia em São Paulo. Segundo a lei, o município mais velho ficaria com o nome, sendo então cogitada a mudança do nome de Caçador, em Santa Catarina, para Caçanjurê. Mas Domingos Paganelli sugeriu que fosse consultado o Departamento de Geografia e Estatística do governo federal. Foi comprovado que Caçador, em Santa Catarina, tinha o nome há mais tempo.

AGRICULTURA É PROTAGONISTA

          Mesmo com o crescimento da indústria e dos serviços, a agricultura continua importante. O município conta com cerca de 230 indústrias. Mas são os dados da Secretaria da Agricultura que apontam a importância do meio rural. São produzidas por ano cerca de 100 mil toneladas, destacando-se tomatre, alho e cebola, além da fruticultura de clima temperado e as culturas de milho, feijão, batata, arroz e fumo. O tomate é destaque, com uma produção de quase 50 mil toneladas/ano, o que proporciona o título de "maior produtor do Estado".
          Uma tragédia na década de 1980 mostrou a força do município. Em 1983, uma enchente afetou várias famílias e deixou a cidade isolada. Pontes foram carregadas, inclusive a Ponte Coberta de Madeira, que foi reconstruída em 1985.

CRESCIMENTO FICA VISÍVEL

          A indústria é o setor responsável por grande parte do movimento financeiro do município, e deu a Caçador o título de "capital industrial do Meio-Oeste". Essa configuração começou nos anos 1990, quando a indústria teve um crescimento acelerado e as madeireiras passaram a exportar mais, colocando a cidade como um dos principais exportadores do Estado.
          Com as novas tecnologias e a indústria da madeira exportando em escala, a perspectiva é de um futuro próspero no que diz respeito a volume de produção. Caçador tem como destaque o setor metalmecânico, do couro e do calçado, de confecções e de plásticos. O crescimento da cidade é visível, coma construção civil em alta e o movimento de pessoas e veículos.

População: 70.762 habitantes em 2010
Área: 981,903 km2
Quem nasce lá é...caçadorense
Emancipação: 22 de fevereiro de 1934

Reportagem: Ângela Bastos, Melissa Bulegon e Paola Loewe.
Fotos históricas: Acervo do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina
Fotos atuais: Eduardo Cavalcanti, Felipe Carneiro e Alvarélio Kurossu.

Fonte: Retratos do desenvolvimento. Passado, presente e futuro das cidades catarinenses a partir de fotos históricas: Oeste , Meio-Oeste e Serra. Grupo RBS. Diário Catarinense, A Notícia e Jornal de Santa Catarina: 24/11/2011. p. 6-7.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Piratuba: "Retratos do desenvolvimento" - 24/11/2011


Iniciamos nossas postagens referentes ao caderno "Retratos do desenvolvimento", ao qual nos referimos na postagem anterior, reproduzindo, integralmente, matéria sobre o belo município de Piratuba, originalmente veiculado nos jornais do Grupo RBS que circulam em Santa Catarina.
Tenho muito orgulho dos vários alunos com os quais tive o privilégio de trabalhar na UNOESC de Joaçaba e que se dedicam profissionalmente ao turismo em Piratuba, especialmente nos empreendimentos hoteleiros da cidade.
Quem visita a cidade, pode aproveitar, além das águas termais e de outros equipamentos turísticos, o nostálgico e divertido passeio de Maria Fumaça entre Piratuba e Marcelino Ramos (RS) promovido pela ABPF - Associação Brasileira de Preservação Ferroviária.



          Ontem, o menino brincava na estrada de chão povoada por casarões de moradia e de comércio. Hoje, o comerciante Camilo Batistelli tenta localizar as ruínas da igrejinha católica, do açougue e do armazém do lugarejo antes chamado de Vila Esteves Júnior, atual Comunidade Uruguai, às margens do Rio do Peixe, em Piratuba. Na imagem antiga, os trilhos por onde deslizavam os vagões. Na paisagem atual, paralelas em aço que conduzem apenas à história.
          A antiga estação do trem ainda está em pé. Também o paradouro, o hotel que hospedava aqueles que estavam de passagem. Na memória do morador Batistelli, tempos de singularidades. A instalação da família vinda do Rio Grande do Sul, os ensinamentos dos pais. Em meio ao mato salpicado com pedras escorregadias pala chuva, a redescoberta do pequeno templo que, aos domingos, abarcava famílias de descendentes de italianos.
          - A gente era pequeno, mas lembra até dos donos das casas. O morro era atrás e o rio correndo ali embaixo. A comunidade era toda acima do rio, mas, com o passar dos anos, foi desaparecendo e muitas mudaram-se para o outro lado - recorda.
          O cenário das terras de Piratuba, no Meio-Oeste do Estado, repete uma característica na região já no começo do século 20. O começo da colonização deu-se pela construção da Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande, da empresa Brasil Railway, entre 1907 e 1910. A ferrovia, utilizando o traçado do Caminho das Tropas, rasgava o sertão para facilitar o escoamento da produção. Na Estação Rio do Peixe, primeiro nome da atual Piratuba, o representante da empresa era o alemão Otto Deiss. Com a chegada, a partir de 1913, de famílias de origem alemã vindas de São Leopoldo, foi fundada a Vila do Rio do Peixe, pertencente ao município de Campos Novos. Com o seu desenvolvimento, a Vila do Rio do Peixe foi elevada à categoria de distrito no ano de 1923. Piratuba, no tupi-guarani, significa "abundância de peixes". A instalação do novo município aconteceu em 18 de fevereiro de 1949.


HOJE, DESTAQUE NA EDUCAÇÃO

          A economia da cidade de Piratuba também deslizou nos trilhos do trem. Com a estrada de ferro em atividade, foram implantadas alternativas de renda, como criação de gado, produção agrícola e extração de madeira. Em 1964, a Petrobrás encontrou um lençol de águas sulfurosas a 674 metros de profundidade. As águas estão sempre em 38,6°C e os banhos são considerados terapêuticos.
          A educação merece destaque. A Escola Municipal Professora Amélia Poletto Hepp serve de modelo. A unidade tem lousas digitais nas 17 salas de aula, que permite aos alunos interagir com o conteúdo exposto. As lousas têm internet, ligada a um servidor próprio da escola e permitem que o professor escreva e apague como nos antigos quadros-negros, mas os alunos gostam mesmo é da interação.

APOSTA NA QUALIDADE DE VIDA

          Turismo e qualidade de vida. O binômio procura ser executado em Piratuba, cidade que recebe em torno de 300 mil visitantes por ano. Isso para atender a um perfil traçado e que permitiu concluir que o visitante de Piratuba, especialmente de suas águas termais, procura por saúde e tranquilidade. Outro importante foco é o turismo náutico pelas águas do Rio do Peixe. Piratuba se destaca também por possuir uma rede hoteleira qualificada, além de casas de veraneio, pousadas e áreas de camping.
          Quem visita a cidade de Piratuba percebe que a parte central possui Centro Histórico. Os moradores se sentem estimulados e as casas são bem cuidadas, com jardins limpos e floridos.

População: 4.786 habitantes em 2010
Área: 145.704 m2
Quem nasce lá é...piratubense
Emancipação: 18 de fevereiro de 1949

Reportagem: Ângela Bastos, Melissa Bulegon e Paola Loewe.
Fotos históricas: Acervo do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina
Fotos atuais: Eduardo Cavalcanti, Felipe Carneiro e Alvarélio Kurossu.

Fonte: Retratos do desenvolvimento. Passado, presente e futuro das cidades catarinenses a partir de fotos históricas: Oeste , Meio-Oeste e Serra. Grupo RBS. Diário Catarinense, A Notícia e Jornal de Santa Catarina: 24/11/2011. p. 6-7.





terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Retratos do desenvolvimento: Meio-Oeste e Oeste de SC


No últimos meses do ano de 2011 os jornais do Grupo RBS que circulam em Santa Catarina - Diário Catarinense, A Notícia e Jornal de Santa Catarina - publicaram uma coleção de cinco interessantes cadernos, intitulados Retratos do desenvolvimento. Passado, presente e futuro das cidades catarinenses a partir de fotos históricas. A iniciativa teve por objetivo convidar o leitor a acompanhar o avanço da urbanização nos municípios de nosso Estado tendo como ponto de partida fotografias antigas, feitas pelo Prof. Victor Antônio Peluso Junior nas décadas de 1930/1940, e cedidas pelo Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina (IHGSC), de cujo acervo hoje fazem parte. Os cadernos foram divididos em regiões e publicados como segue:
  • 24/11 - Oeste, Meio-Oeste e Serra: Caçador, Chapecó, Curitibanos, Joaçaba, Lages, Piratuba, São Joaquim e Videira.
  • 27/11 - Sul: Araranguá, Criciúma, Cocal do Sul, Jaguaruna, Laguna, Orleans e Tubarão.
  • 30/11 - Vale: Blumenau, Brusque, Gaspar, Ibirama, Itajaí, Rodeio e Timbó.
  • 04/12 - Norte: Araquari, Jaraguá do Sul, Joinville, Porto União, São Bento do Sul e São Francisco do Sul.
  • 07/12 - Capital e região: Biguaçu, Florianópolis, Imbituba, Palhoça, São José e São Pedro de Alcântara.
Três equipes de reportagem percorreram o Estado com o objetivo de demonstrar o avanço econômico e social destes 34 municípios: as repórteres Ângela Bastos, Melissa Bulegon e Paola Loewe, acompanhadas, respectivamente, dos fotógrafos Edu Cavalcanti, Alvarélio Kurossu e Felipe Carneiro. Limitaremos nossa atenção aos municípios de Caçador, Chapecó, Joaçaba, Piratuba e Videira, apenas por uma questão de fidelidade aos propósitos deste espaço, mas recomendamos aos interessados em conhecer o material completo, que procurem fazê-lo, pois a experiência é compensadora.

O Prof. Victor Antonio Peluso Junior nasceu em Florianópolis/SC em 05/07/1909 e faleceu na mesma cidade em 21/04/1994. Casado e pai de três filhos, foi geógrafo, historiador, político e professor emérito da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Formou-se engenheiro-geógrafo em 1928 e em 1932 foi nomeado auxiliar técnico da então existente Diretoria de Terras e Colonização, a serviço da qual realizou estudos e levantamentos topográficos pelo Estado. Criado o Conselho Nacional de Geografia, que mais tarde viria a ser o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), lançou-se uma campanha de incentivo ao registro das coordenadas geográficas de SC. Neste contexto, entre 1939 e 1946,  o Prof. Peluso percorreu todas as regiões do Estado lançando mão dos mais variados meios de transporte que lhe estavam disponíveis: ônibus, caminhão, carro de boi, canoa e, inclusive, lombo de mula. Remonta a este período o rico acervo de imagens por ele registradas que ilustra os cadernos publicadas pelos jornais do Grupo RBS. Ao longo das próximas postagens compartilharemos parte deste interessante trabalho.

Fonte: Retratos do desenvolvimento. Passado, presente e futuro das cidades catarinenses a partir de fotos históricas. Grupo RBS. Diário Catarinense, A Notícia e Jornal de Santa Catarina: 24/11/2011. 24p.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Seara/SC: os 55 anos de fundação do Frigorífico Seara

As imagens que ilustram este post foram publicadas originalmente num encarte distribuído pelo Jornal de Santa Catarina de Blumenau/SC, o mais importante do Vale do Itajaí. O informe comercial veiculou no dia 18/11/2011, em comemoração à fundação, em Seara/SC, na mesma data do ano de 1956, do Frigorífico Seara. O importante fabricante dos produtos alimentícias da marca Seara completava 55 anos de atuação no mercado e compartilhava com o grande público diversos aspectos de sua evolução ao longo do tempo.
Não demorou para que a empresa se consolidasse como sinônimo de qualidade em carnes de aves e suínos in natura e processadas, graças à ampliação de seus negócios e aos investimentos feitos em qualidade de processos e produtos. Atualmente a sede da empresa se localiza na cidade portuária de Itajaí/SC, onde possui o primeiro e único terminal privado de cargas frigoríficas do país. Mais de 21 mil funcionários trabalham nas nove unidades industriais da empresa, entre abatedouros e frigoríficos, nas quais são produzidas mais de 27 linhas diferentes de produtos, comercializadas nacional e internacionalmente. Entre elas, podem se citadas: banha, batata-frita, empanados, feijoada, hambúrguer, lasanha, linguiças curadas e frescais, Linha Festa, Linha Light, mortadelas, pão de queijo, pizzas, presuntos, salames, salsichas, sanduíches prontos, frangos, bovinos, cordeiro, suínos, etc.
Nos primeiros anos da década de 1980, a Seara foi adquirida pela Ceval, maior processadora de soja da América Latina, que ampliou o número de unidades industriais e dotou-as da tecnologia adequada ao seu mercado de atuação. No mês de dezembro de 1998 aconteceu a cisão da Divisão Carnes da Ceval, sendo imediatamente constituída a Seara Alimentos S.A., que passou, a partir de janeiro de 1999, a atuar como empresa independente. Com um forte foco no mercado exterior, abriu escritórios comerciais nos seguintes países: Argentina, Holanda, Cingapura, Japão e Dubai. Em fevereiro de 2005 a empresa foi adquirida pela Cargill e, em março de 2008, muda o nome para Cargill Meats Brazil, compondo a unidade de Negócios Cargill para proteína animal. Em setembro de 2009 a empresa passa à propriedade do Grupo Marfrig e é hoje um dos maiores fabricantes de alimentos do país no campo de produtos industrializados à base de carne de aves e suínos. Em 2010 foi feito um investimento histórico na marca Seara, escolhida pelo Grupo Marfrig para se tornar sua marca global, com diversas ações de marketing voltadas à sua consolidação junto ao público. Entre elas, ações no meio esportivo, como: patrocinadora do Santos Futebol Clube, da Seleção Brasileira de Futebol até 2026, da Copa América 2010, e das Copas do Mundo Fifa 2010 e 2014. Paralelamente a todas esta ações, a empresa estabelece um relacionamento emocional com os consumidores através da sustentabilidade, gerindo seu negócio contemplando princípios adequados à questão da responsabilidade ambiental. 
Com cerca de 90 mil funcionários, o Grupo Marfrig é uma das maiores empresas globais de alimentos à base de carne de aves, suína, bovina, ovina e de peixes, além de massas e vegetais. Sua plataforma operacional, composta por unidades produtivas, comerciais e de distribuição, está instalada em 22 países, nos cinco continentes. Os produtos da Seara, altamente diversificados, estão presentes nas mesas de consumidores em mais de 140 países.

Fonte: Jornal de Santa Catarina, 18/11/2011. Informe Comercial: Seara 55 anos - Empresa com uma trajetória consolidada. 4 p.



quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Treze Tílias: "Dreizehnlinden": o poema épico que empresta o nome à cidade

"Wonnig ist's, in Frühlingstagen,
Nach dem Wanderstab zu greifen,
Und, den Blumenstrauss am Hute,
Gottes Garten zu durchschweifen..."

"Como é bom, durante a primavera
Lançar mão do bastão de caminhada,
E, com flores o chapéu a ornamentar
Pelo Jardim de Deus poder vaguear..." *
Com este verso o autor de Dreizehnlinden - Treze Tílias em português - dá início ao poema de 25 cantos que compõe a obra que o projetou como poeta. Alemão, Friedrich Wilhelm Weber nasceu em 25/12/1813 em Alhausen e faleceu em 05/04/1894 em Nieheim. Filho de guarda florestal, quando estudante fez uma longa caminhada percorrendo a Boêmia**, a Áustria, a Itália e a França. Uma vez médico, viveu em diversos lugares da Westfália, região onde nasceu. De 1861 a 1893, foi membro da câmara de deputados da Prússia.

Seu trabalho mais conhecido, o poema épico Dreizehnlinden, que trata dos conflitos gerados pela cristianização da Saxônia, foi publicado em 1878 (imagem acima). Paz e tolerância são os temas principais que emergem de seus escritos. Um dos maiores best-sellers do final do século XIX e início do século XX, Dreizehnlinden pertencia ao acervo natural de livros da família alemã. A obra que até o início da ditadura de Hitler fazia parte do currículo escolar, lamentavelmente caiu no esquecimento. No entanto, o épico de Weber carrega uma mensagem que jamais deixou de ser atual: a da vitória do amor sobre a violência.

Os eventos que compõe a história em Dreizehnlinden ocorrem na região de Nethegau, Westfália, nos anos de 822 e 823, no período de regência de Luís I o Piedoso, também conhecido como Luís I o Belo, segundo filho do imperador Carlos Magno, rei dos francos*** de 814 a 840. No âmago da obra está a história de amor do jovem saxão Elmar, crescido e educado na fé pagã e no ódio aos invasores francos, e a jovem cristã Hildegunde, filha de um conde franco.

Com isso no aproximamos do tema central da história. A paz está no centro do ensinamento cristão, e somente poderá haver uma nova primavera para a humanidade onde reinar paz e tolerância. No entanto, as lembranças do conflito que deixou marcas profundas na vida dos conquistadores francos e dos subjugados saxões ainda estão longe de ser esquecidas. No campo privado, o conflito se reflete nas dificuldades do amor de Hildegunde e Elmar, que vê crescer dentro de si dúvidas quanto à ideologia guerreira de Odin, o deus da mitologia germânica em cuja crença fora educado. Ele parece enxergar, no horizonte dos acontecimentos, que o tempo dos deuses saxões está chegando ao fim. No entanto, os próprios francos, dada a violência com que subjugaram os saxões, impondo-lhes a fé cristã, pouco parecem estar dispostos a espalhar o espírito cristão. Neste meio aparece a vidente Swanahild, apontando para a contradição existente entre a ação guerreira dos invasores e a mensagem de paz cristã que supostamente deveriam propagar.


Dreizehnlinden, o mosteiro, aparece então como o verdadeiro contraponto cristão àquele tempo carente de paz. O conflito franco-saxão cresce quando Gero, mensageiro real franco, acusa injustamente Elmar de incendiário. Gero, que deseja conquistar Hildegunde para si, fere gravemente a Elmar com uma flecha envenenada. Elmar encontra, então, suplicando por sua vida, mais parecido com um Jó sofredor do que com um herói épico, abrigo no mosteiro Dreizehnlinden. Desta forma, conflito e negociação de conflito se transformam em catástrofe. O pérfido, caluniador e falso cristão Gero é inicialmente vitorioso sobre o inocente Elmar, que, como já dito, têm dúvidas quanto à fé pagã na qual fora educado. O verdadeiro cerne da epopéia está na estada de Elmar no mosteiro. Longe do ódio e da violência, e sob a proteção do abade e do prior, em Dreizehnlinden ele é curado de corpo, alma e espírito. À vidente Swanahild é permitido cuidar da cura do corpo, mas aos monges cristãos é dada a exclusividade na cura do espírito e da alma. Desta forma, em Dreizehnlinden se unem a vidente e os monges, numa demonstração de tolerância, para uma obra de vivência prática do amor cristão. Chega a primavera e Elmar renuncia, convencido pela bênção da não-violência, à fé guerreira em Odin e se deixa batizar. O amor entre ele e Hildegunde se completa logo depois, durante o período da colheita. A epopéia da paz de Weber atinge seu auge nesta união. Chama a atenção que o titulo da epopéia não aponta, como é comum, para o herói, mas para o centro da renovação do espírito e da alma.

A legião de fãs de Weber pode ter desaparecido com o tempo, mas a memória de sua principal obra e de seus valiosos ensinamentos é mantida viva por iniciativa do Ministro Andreas Thaler (1883-1939). O austríaco que liderou os imigrantes de seu país em terras catarinenses e a quem devemos o surgimento da bela cidade de Treze Tílias em 13/10/1933, buscou no poema de Weber inspiração para dar nome à nova Pátria de seus conterrâneos e seus descendentes brasileiros. Parabéns, amigos e ex-alunos trezetilienses, pela comemoração dos 77 anos da chegada dos pioneiros austríacos! Termino com o verso final de Dreizehnlinden:

"Helf' uns Gott den Weg zur Heimat

Aus dem Erdenelend finden.
Betet für den armen Schreiber,
Schließt der Sang von Dreizehnlinden!"

"O caminho da Pátria ajude-nos Deus
Em meio à miséria terrena encontrar.
Rezem pelo pobre escritor,
Termina o canto de Treze Tílias!" *

















* Tradução livre do autor.
** Parte oeste do território da atual República Tcheca.
*** Habitantes da Francônia, região do sudeste da Alemanha.

Fontes:
http://www.projekt.gutenberg.de/
http://www.friedrich-wilhelm-weber-gesellschaft.de/