quinta-feira, 17 de junho de 2010

Joaçaba: "Descobri um 'Pozza' em Blumenau!"

Há alguns dias, após postar a matéria sobre a antiga fábrica de acordeões Pozza, uma neta dos fundadores da fábrica me fez saber do interesse da família em adquirir um acordeão produzido pela fábrica. Estou tentando ajudar, divulgando o assunto a um grande círculo de amigos e conhecidos, pois posso imaginar os sentimentos envolvidos nisso no contexto da história da família Pozza. Contudo, percebi que esse sentimento pode não dizer respeito somente aos descendentes de quem fabricou, mas também aos de quem adquiriu um acordeão Pozza. Isso que demonstra que um bem produzido pode significar muito mais do que um mero produto exposto numa vitrine. É o caso do acordeão Pozza que descobri em minha cidade na semana passada. Liguei para um conhecido que é professor de acordeão e tem uma loja de venda de instrumentos musicais, inclusive acordeões, tanto novos quanto usados. Perguntei se porventura tinha um Pozza à venda, ao que respondeu negativamente, mas informou que em 2009 teve um aluno que, segundo se recorda, poderia ter um Pozza. Sua lista de ex-alunos revelou um nome: Romualdo Jardini. Um telefonema bastou para confirmar a informação, mas também para revelar que o tal Pozza não está à venda. Pena para a família Pozza (apenas por enquanto, pois havemos de encontrar um Pozza à venda!), mas o proprietário do acordeão, sensível aos anseios da família, gentilmente permitiu que eu fotografasse o instrumento e conhecesse um pouco da sua história.


O instrumento tem grande valor sentimental para Romualdo Jardini. Seus antepassados, assim como os Pozza da antiga fábrica, eram italianos que vieram do Rio Grande do Sul para contribuir com o desenvolvimento do Meio Oeste catarinense. O acordeão foi comprado em 1962 por seu avô, Santo Giardini*, agricultor falecido em 2007, e um dos primeiros moradores da localidade de São José, interior do município de Catanduvas. Era um presente para o seu filho, Vitalino Jardini, pai de Romualdo, que na ocasião completara 18 anos de idade. A vida no interior era muito dura e a música era um elemento que trazia alegria à vida dos agricultores nos finais de semana, nos raros momentos de relaxamento e descontração que estes se permitiam. Quando solteiro, Vitalino tocava acordeão e violão, juntamente com seu irmão Valdir, animando bailes e festas num galpão de chão batido que existiu em São José. Depois de casar e constituir família, em função da dura vida na lavoura e das novas responsabilidades, Vitalino já não podia se dedicar à música como o fazia nos tempos de solteiro e aos poucos foi deixando-a de lado. A certa altura, presenteou o acordeão ao seu filho Romualdo, que também conheceu as dificuldades da vida no interior e se mudou para o Vale do Itajaí em busca de uma oportunidade de crescimento profissional. Entretanto, não esquece suas raízes e procura seguir os passos do pai, inspirados por seu avô, e também aprender a tocar acordeão. Compreende-se, portanto, o sentimento que Romualdo acalenta em relação ao seu Pozza, não querendo se desfazer dele. Trata-se de algo intangível, espiritual, e ao mesmo tempo muito forte e real na vida da parte envolvida. Diz Romualdo: "Essa gaita tem história. Imagina quantas pessoas não tocaram e aprenderam a tocar nela nestes anos todos?" Não temos a resposta a essa pergunta, Romualdo, mas esperamos que você possa seguir honrando a história deste Pozza e que, algum dia, seus descendentes possam ser os próximos a fazer parte dela.


*Giardini é a grafia original do sobrenome da família. Devido a um erro ocorrido no registro do nascimento de Vitalino, pai de Romualdo, que teve o sobrenome registrado como sendo Jardini ao invés de Giardini, este ramo da família passou a se chamar Jardini.  

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Joaçaba: "Fabrica de Armonicas - de Irmãos Pozza"

Muitos moradores de Joaçaba e região hão de se recordar desta empresa que existiu em Joaçaba por um período de quase 50 anos: a "Fabrica de Armonicas - de Irmãos Pozza". A empresa foi fundada pelos irmãos José João, Atílio Afonso e Cesar Pozza, já falecidos. Eram filhos de Angelo Pozza, ourives de profissão, e imigrante italiano que se fixou na cidade de Nova Prata/RS. No início da década de 1930 a família, a exemplo de muitas outras de descendentes de italianos, alemães, poloneses, e de outras nacionalidades, deixou o Rio Grande do Sul para contribuir com o processo de colonização do meio oeste catarinense. Angelo e seus filhos José João, Atílio Afonso e Cesar, foram os primeiros a vir, tendo sido seguidos pela esposa de Angelo e os demais filhos do casal. Estabelecem-se inicialmente em Capinzal, mas passado pouco tempo, fixaram residência em Joaçaba. José João Pozza, decidido a montar uma fábrica de acordeões, viajou a São Paulo a fim de aprender as técnicas de montagem e afinação dos intrumentos. Surgiu assim, há 80 anos, o empreendimento que, a partir do talento e das mãos hábeis de muitos instrumentistas, certamente contribuiu para alegrar incontáveis bailes, casamentos, festas, reuniões de famílias e amigos, e outros eventos nos quais a alegria da música se fez presente. A fábrica produzia, para comercialização em nível local, regional e estadual, cerca de 360 instrumentos por ano, uma média de 30 unidades mensais, até encerrar suas atividades, em 1978, pouco depois da morte, em 1977, de José João Pozza. Uma breve referência ao empreendimento pode ser encontrada na internet, em sites como http://www.acordeom.com.br/ e http://www.lojamanomonteiro.com.br/, nos quais figura, no contexto da história do acordeão, em listas de fábricas que produziram o instrumento no Brasil. E por falar na internet, foi num site de venda de artigos para colecionadores que encontramos a imagem que ilustra esta postagem: http://www.rsscolecionismo.nom.br/. Trata-se de um catálogo atribuído à década de 1950, que informa que a empresa tinha como endereço a Rua Duque da Caxias s/n. Entretanto, consta que neste endereço funcionava a oficina de conserto e afinação de acordeões, já desativada, dirigida por Pedro Antônio Pozza, filho de José João Pozza. A fábrica estava, de fato, localizada à Rua Floriano Peixoto No. 12, esquina com Frei Edgar, e funcionava no andar térreo do prédio, local que atualmente abriga uma loja de comércio de móveis. O piso superior do edifício, como fora no passado, é destinado a fins residenciais. A música parecia estar no sangue da família Pozza. Lourdes Pozza, irmã dos fundadores da empresa, tocava acordeão e ensinava a arte aos seus alunos no piso superior do prédio onde funcionava a fábrica, local onde também residia. Deixo meus agradecimentos aos descendentes da família Pozza que gentilmente colaboraram com esta postagem. Funiculi, Funiculá!

Fontes:
KORNDÖRFER, Fabíola. Pozza. Publicação eletrônica [mensagem pessoal]. Mensagem recebida por wieland@terra.com.br  em 31 mai. e 07 e 08 jun. 2010.

POZZA, Juliano. Publicação eletrônica [mensagem pessoal]. Mensagem recebida por wieland@terra.com.br em 04 abr. 2010.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Treze Tílias em 1972

Já navegou em sites especializados em colecionismo? Se não, sugiro que o faça, ainda que não colecione nada, que seja apenas para passar o tempo ou matar a curiosidade. Afirmo que será uma experiência interessantíssima, pois lhe trará muita informação e prazer, e ainda ampliará seu conhecimento geral. Além disso, permitirá que encontre verdadeiras "relíquias" de tempos passados, como costuma acontecer comigo. Este ano, em 13/10, o Tirol Brasileiro comemorará 77 anos da chegada dos primeiros imigrantes austríacos e, neste 29/04, 47 anos de emancipação política. Em 1972, de quando datam as imagens que ilustram este texto, a cidade festejava, com a segunda edição de uma feira, seus 09 anos de existência como município. À época da chegada dos primeiros imigrantes austríacos, em 1933, o território onde se encontra o município pertencia a Joaçaba, então denominada Cruzeiro do Sul. Em 24/05/1955, por ocasião da 225a. Sessão da Câmara de Vereadores de Joaçaba, foi aprovada a denominação de Treze Tílias para o então Distrito de Papuan. A emancipação política viria em 29/04/1963, pela Lei No. 882, com o desmembramento de Ibicaré, a cujo território pertencia desde a criação daquele município em 1962.
Nada seriam as cidades sem os seus protagonistas maiores, os cidadãos, seus filhos. A primeira imagem mostra, ao centro, a Sra. Cecília Moser, Miss Turismo de Treze Tílias. Conhecida por "Tante Cilly" no âmbito familiar, é irmã da Sra. Hilda Moser Klotz, esposa do Sr. João Klotz, proprietário do Hotel Tirol. No canto superior esquerdo aparece o "Castelo", hoje mais conhecido por "Castelinho". Foi construído em 1936 e inaugurado no ano seguinte pelo fundador da cidade, o Ministro Andreas Thaler, a fim de servir-lhe de residência. Desde outubro de 2002 abriga o Museu Municipal Andreas Thaler. Ainda em cima, no lado direito, temos o Hotel Stern, inaugurado naquele ano, concepção original do que viria ser o Hotel Tirol. Embaixo, à esquerda, aparece o Hotel Áustria, que teria sido o primeiro empreendimento hoteleiro de Treze Tílias, ladeado por vias públicas ainda não pavimentadas. Por fim, no canto inferior direito, a então chamada "Piscina Turística", empreendimento ainda recente do Sr. Erwin Felder, já falecido, e de sua esposa, a Sra. Elfriede, que segue firme à frente do conhecido Restaurante e Camping Felder.


A segunda imagem nos proporciona uma bela vista panorâmica de Treze Tílias em 1972. Já na época a paisagem era marcada pela imponência da Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (1952) na parte alta da cidade e sua então já bem cuidada praça, hoje denominada Praça Ministro Andreas Thaler. O belo edifício da prefeitura municipal parecia ainda não existir, ao menos como o conhecemos hoje. Igualmente o Hotel Tirol, na bela construção que o abriga em nossos dias, ainda viria a fazer parte da paisagem urbana da cidade. A beleza pela qual a cidade é conhecida hoje, contudo, tem sua vocação claramente impressa na imagem. Não por acaso é internacionalmente conhecida como o "Tirol Brasileiro". Parabéns, a todos os trezetilienses, pelo 47o. aniversário de emancipação política de sua bela cidade!

Fontes:
CABRAL, O. R. História de Santa Catarina. 3a. ed. Florianópolis: Lunardelli, 1987.
CALZA, S. Publicação eletrônica [mensagem pessoal]. Mensagem recebida por: wieland@terra.com.br.  
Acesso em: 01 fev. 2010.
Site www.cmj.sc.gov.br/docs/r02.pdf

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Treze Tílias: As memórias de Alfred Luiz Baumgarten - Parte II



 Dando sequencia ao relato das viagens de Alfred Luiz Baumgarten a Treze Tílias, reproduzo abaixo o texto referente à sua segunda viagem ao município. Segundo havia inicialmente planejado, esta deveria ter acontecido no ano seguinte à primeira viagem, ou seja, em 1979, mas veremos que seu retorno a Treze Tílias demoraria um pouco mais. A imagem retrata parcialmente o Hotel Tirol, onde se hospedou nas duas ocasiões. Infelizmente, em função da baixa qualidade da imagem publicada no livro, não é possível identificar as pessoas na fotografia. No entanto, o estabelecimento ainda existe, obviamente modernizado e ampliado, e se mantém fiel às características que cativaram o viajante Baumgarten. Tive o privilégio, enquanto membro do corpo docente do Curso de Turismo e Administração Hoteleira da UNOESC, de conhecer e participar da qualificação de alguns de seus colaboradores, entre eles Solange Calza e os irmãos Cristina Klotz Mantovani e Roberto Klotz, filhos dos proprietários do hotel. Vamos à parte final do texto:

"Não foi no ano seguinte, mas dois anos depois, que voltamos a Treze Tílias na época sugerida. Desta vez fizeram parte do grupo: o sr. Oswaldo Huewes e esposa Marilene, Grete, Luiz, Marilia e eu. Na viagem de ida conhecemos as cidades de São Bento do Sul e Rio Negrinho, que neste dia estava festejando seu primeiro centenário de fundação. Em Treze Tílias fomos diretamente ao Hotel Tirol, onde já estávamos sendo esperados. Sábado e domingo* foram os dias dos festejos, com exposição Agro-Pecuária e Artesanato, de churrasco e música tirolesa o dia inteiro, sem falar do baile de sábado à noite. Fui convidado a abrir o baile dançando com a Miss Treze Tílias. Entre as danças houve apresentação de vários grupos de Danças tirolesas em trajes típicos, inclusive o "Schuhplattler". É uma dança no qual os pares participantes pulam e batem com as palmas das mãos nos joelhos e na sola dos sapatos.

Para domingo à noite, Da. Mitzi tinha preparado uma festa particular para nós e sua família, animada com muita cantoria, em alemão é claro, e muito vinho. Um casal de alemães de São Paulo, assistiu as nossas brincadeiras com tanto interesse que acabamos chamando-o para nosso grupo. O comentário do senhor alemão foi que desde que veio de Hamburgo nunca mais tinha ouvido esses "Lieder"** e principalmente as paródias dos textos que eu cantava. Se sacudia de tanto rir.

Tínhamos marcado a nossa viagem de regresso para a manhã do dia seguinte. Isso provocou um protesto geral nos nossos amigos do Hotel Tirol. Da. Mitzi até já tinha preparado um assado para o almoço. Não tivemos outra alternativa e tivemos que adiar a viagem para depois do almoço. Quando anunciamos a nossa decisão a alegria foi geral e na mesma hora o genro de Da. Mitzi saiu apressadamente para comprar mais vinho."

* Pelos nossos cálculos, 26 e 27/04/1980.
** Canções, provavelmente folclóricas.

Até aqui o relato de Baumgarten. Seria muito interessante saber quem são algumas das pessoas mencionadas ao longo do texto, como a Da. Mitzi, suas filhas e seu genro, assim como a Miss Treze Tílias daquele ano e a freira mencionada na primeira parte desta matéria. Contribuições neste sentido são muito benvindas e podem ser postadas na forma de comentários ou enviadas por e-mail para wieland@terra.com.br.

Fonte: BAUMGARTEN, A. L. Missão cumprida. Blumenau: Ed. do autor, 1992.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Treze Tílias: As memórias de Alfred Luiz Baumgarten - Parte I


Há alguns anos, em visita a um sebo de Blumenau encontrei um livreto de 89 páginas, escrito por Alfred Luiz Baumgarten (1912-2001), e intitulado "Missão Cumprida". Curioso por encontrar na auto-biografia dados que remetessem ao passado de Blumenau/SC, grata surpresa encontrei, à p. 75, o título "Treze Tílias". O autor relata suas duas passagens pelo município. Ainda que tenha omitido a data destas viagens, permito-me, a partir de um dado fornecido pelo autor, supor que tenham ocorrido em 1978 e 1980, respectivamente. A suposição se baseia na informação de autor de que sua segunda viagem aconteceu quando Rio Negrinho/SC "estava festejando seu primeiro centenário" (p. 77), e é sabido que isso aconteceu a 24/04/1980, uma quinta-feira.
As informações referentes à história e a outros fatos do município são resultado de impressões coletadas pelo autor em suas visitas à cidade e eventualmente algumas delas podem carecer de confirmação.
Estou certo que o leitor terá muito prazer nestes relatos, especialmente o que estiver familiarizado com os locais e fatos mencionados, ou mesmo os protagonizou. O relato da segunda viagem publicaremos em breve.


Treze Tílias

Estivemos duas vezes nessa encantadora cidadezinha do interior catarinense. A cidade foi fundada em 1933 por um grupo de tiroleses, chefiados pelo ex-ministro da Agricultura da Áustria, Andreas Thaler. Depois de peregrinar por vários países sulamericanos, acabaram no Brasil, onde encontraram o lugar dos seus sonhos para se assentarem e fundar uma cidade. Assim, nasceu Treze Tílias (em alemão "Dreizehn Linden").
Em Treze Tílias tudo se desenvolve com a preocupação de preservar as tradições tirolesas. Graças aos incentivos da prefeitura, que entre outros isentou de impostos durante 5 anos a construção de casas típicas. Nem mesmo as agências do Banco do Brasil e do Banco de Desenvolvimento de Santa Catarina escaparam. Elas estão instaladas em prédios com estilo tirolês.
A primeira viagem fizemos no carro do sr. Oswaldo Hueves, nosso representante* para o Estado de Santa Catarina. Do grupo participaram, além do sr. Oswaldo, minha irmã Grete e seu marido Luiz, o sr. Werner Riedmann, da Fábrica em Nova Friburgo, Marília** e eu. Chegamos à cidade já noite escura sem saber onde ficar. Vimos no alto de uma colina uma igrejinha iluminada. Fomos até lá e, como a porta estava aberta, resolvemos entrar. Na igreja meu cunhado Luiz encontrou uma religiosa que conheceu há muitos anos quando lhe forneceu remédios, sendo ele farmacêutico. A freira nos apresentou ao Padre João, tirolês e pároco da igreja. A nosso pedido indicou-nos um hotel e se ofereceu para nos acompanhar ao Hotel Tirol da Da. Mitzi. Era um hotel típico da região, familiar e muito simpático, administrado por Da. Mitzi, suas duas filhas e um genro. Éramos praticamente os únicos hóspedes e, apesar da hora avançada, nos prepararam um gostoso lanche (Abendbrot), acompanhado de vinho da região. Depois ainda fomos brindados com um concerto de cítara por Da. Mitzi, acompanhado por um coral formado pelas filhas e genro e do qual nós acabamos participando.
O dia seguinte foi de passeios pela cidade e visitas a vários artesanatos, a maioria de esculturas em madeira, principalmente de figuras sacras. O pessoal do hotel e outras pessoas com as quais conversamos, nos aconselharam a voltar no ano seguinte, em maio***, para os festejos da fundação da cidade. Com essa idéia na cabeça, regressamos a Armação.

* Representante da Fábrica de Rendas ARP, de Nova Friburgo/RJ.
** A esposa de Alfred Luiz Baumgarten, que vive no RJ.
*** A data de chegada dos primeiros imigrantes austríacos é comemorada em 13/10. O texto parece se referir aos festejos da emancipação do município, ocorrida em 29/04/1963.

Fontes:
BAUMGARTEN, A. L. Missão cumprida. Blumenau: Ed. do autor, 1992.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Joaçaba no "Almanaque do Vale"


No final de fevereiro tive uma supresa agradável: vi uma referência a Joaçaba estampada no "Almanaque do Vale", publicado diariamente na penúltima página do Jornal de Santa Catarina, aqui em Blumenau. A coluna é composta de diversas seções: "Há 30 anos no Santa", que retrata notícia publicada no passado, informações sobre os santos do dia e a respeito de eventos ocorridos naquele dia ao longo da história, frases que levam à reflexão, às vezes alguma anedota ou poesia que prestigia autores locais, e também a reproduzida acima, na qual é permitido ao leitor enviar uma fotografia do passado, como o fez a Sra. Fabiele Giovanella no dia 25 de fevereiro último, o do cinquentenário da morte do Frei Bruno. Nascido em 08 de setembro de 1876 em Düsseldorf, Alemanha, Humberto Linden, filho de Humberto Linden e Cecília Goelden, ainda jovem ingressou no noviciado dos Franciscanos da Saxônia em Harreveld, Holanda. Tomou o hábito em 13/03/1894. Tendo sido destinado à missão no Brasil, chegou à Bahia em 12/07 do mesmo ano. Terminou o noviciado em Salvador e fez a profissão solene a 15/05/1898. Estudou Filosofia e Teologia e foi ordenado sacerdote em Petrópolis em 10/05/1901. Em 1904 veio para Santa Catarina, onde serviu à igreja e aos irmãos em Gaspar e São José. Em 1917 foi transferido para Não-Me-Toque/RS. De volta a SC, passa os anos de 1926 até meados da década de 1940 em Rodeio. De lá é transferido para outro local, para em seguida se estabelecer em Xaxim, onde permaneceu até 1956. Chegou a Joaçaba em idade avançada, aos 80 anos, já fraco e doente. Foi a Luzerna com o objetivo de repousar e se preparar para a morte, mas decide retornar a Joaçaba, onde trabalhou até quase o fim dos seus dias. Em 03/07/1959 rezou sua última missa e em 25/10 do mesmo ano vai pela última vez a Luzerna, ainda em cumprimento à sua missão. Pouco menos de um mês mais tarde, em 20/11, foi encontrado desacordado. Recebeu atendimento médico e se recuperou, mas a 25/02/1960 se despediu da comunidade que hoje lhe tem por santo e se dedica à sua canonização. Desde 1987, sempre no último domingo de fevereiro, milhares de pessoas participam da romaria em sua homenagem. Em 30/11/2006 é encerrada a montagem do Monumento Frei Bruno, obra iniciada em janeiro de 2004. O monumento, com 37 m de altura, consta ser o terceiro mais alto do mundo, ficando atrás apenas do Cristo Redentor, no RJ, e da Estátua da Liberdade, em Nova Iorque, EUA, com 40 e 57 m de altura, respectivamente.

Fontes: http://www.freibruno.com.br/ e Jornal de Santa Catarina, Almanaque do Vale, 25/02/2010, p. 23.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

O Oeste de Santa Catarina no "Almanak-Laemmert"

Iniciamos nossas postagens com informações sobre a primeira fonte da qual lançaremos mão neste espaço: o Almanak* Laemmert. Publicado no Rio de Janeiro entre 1844 e 1889 pelos irmãos Eduard e Heinrich Laemmert, oriundos do então Grão-ducado de Baden, situado no sudoeste da Alemanha, é a mais antiga publicação do gênero no Brasil. Os irmãos Laemmert foram os pioneiros do mercado livreiro e tipográfico brasileiro e são os fundadores da Livraria Universal e da Tipografia Laemmert. Posteriormente, já proclamada a República, o almanaque passa à propriedade de Manoel José da Silva. O famoso almanaque é considerado instrumento indispensável de consulta para conhecimento do passado comercial, financeiro e social brasileiro do Século XIX e início do Século XX. Adquirimos esta raridade, um exemplar de 1918, numa livraria especializada em livros antigos de Curitiba/PR. A capa desta edição permite identificar a força do transporte ferroviário há quase 100 anos, em boa parte responsável pelo surgimento de diversos municípios da região meio-oeste e oeste de SC. "O Estado está cortado pela Estrada de Ferro S. Paulo-Rio Grande e pela de S. Francisco ao Iguassú, que, partindo de S. Francisco, estende-se pelo interior, em direcção á fronteira Argentina", informa o Almanak (p. 4174). O episódio que ficou conhecido como "Guerra do Contestado" e a questão de limites entre os Estados de Santa Catarina e Paraná, resolvida com a assinatura de um acordo em 1916, também fazem parte deste contexto. Sobre este último diz o Almanak: "Em virtude do accordo firmado em 20 de Outubro de 1916 entre os Presidentes dos Estados do Paraná e Santa Catharina, sanccionado pelas respectivas Assembleias Estadoaes, os limites entre os referidos Estados passaram a ser os seguintes: (...) No interior: o Rio Negro desde suas cabeceiras até sua foz no Rio Iguassú e por este até a ponte da Estrada de Ferro S. Paulo-Rio Grande; pelos eixos d'esta ponte e da mesma Estrada de Ferro até sua intercepção com o eixo da estrada de rodagem que actualmente liga a cidade de Porto União da Victoria á cidade de Palmas; pelo eixo da referida estrada de rodagem até seu encontro com o Rio Jangada; por este acima até suas cabeceiras e d'ahi em linha recta na direcção do meridiano até sua interpecção com a linha divisoria das aguas dos rios Iguassú e Uruguay e por esta linha divisoria das ditas aguas na direcção geral do oéste, até encontra a linha que liga ás cabeceiras dos rios Santo Antonio e Pepiriguassú, na fronteira Argentina" (loc. cit.). Os textos foram transcritos em seu formato original. A pujança da estrada de ferro há muito se foi, resultado de uma clara opção do Brasil pelo transporte rodoviário. Discussões referentes à retomada do transporte ferroviário como forma de integração do oeste com o litoral catarinense, especialmente com vistas ao escoamento de produtos para os portos visando sua colocação no mercado internacional, fazem parte da pauta do Governo Estadual há alguns anos. Enquando as coisas não saem do papel, permanece viva na lembrança de muitos a lembrança dos tempos em que os trens cortavam a região com regularidade. Para a satisfação de saudosistas e deleite de moradores e turistas, iniciativas como o passeio de Maria Fumaça promovido pela ABPF (Associação Brasileira de Preservação Ferroviária) entre os municípios de Piratuba/SC e Marcelino Ramos/RS, e o debate a respeito de outras em municípios localizados ao longo do leito da estrada de ferro, como Tangará, Pinheiro Preto, Videira e Herval d'Oeste, ajudam a dar vida à memória deste importante fator de desenvolvimento da região no passado e podem ser importantes para o desenvolvimento da atividade turística no presente.

* A capa da edição de 1918 utiliza a grafia "Almanack". Contudo, tanto outras edições quanto inúmeras páginas da edição de 1918 se referem à publicação com a grafia original "Almanak", utilizada desde o surgimento da publicação em 1844.

Fontes: Ministério da Cultura (www.cultura.gov.br) e Almanak Laemmert, edição de 1918.